O Ibovespa alcançou o nível de 188 mil pontos nesta quinta-feira (3), maior patamar desde meados de abril, na 12ª alta consecutiva. O movimento ocorre enquanto investidores reagem ao acirramento das pesquisas eleitorais e monitoram o payroll, relatório de emprego dos Estados Unidos que pode influenciar as expectativas para os juros americanos. Na primeira semana de setembro, o índice acumula valorização de 6,3%.
Pesquisas eleitorais aumentam aposta em disputa apertada
A alta recente ganhou força depois que novos levantamentos reduziram a distância entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. A leitura predominante entre investidores é que uma disputa mais equilibrada aumenta a possibilidade de alternância de governo em 2027.
Na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (2), Lula apareceu com 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 29% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o presidente marcou 42%, ante 41% do senador. A margem de erro de dois pontos percentuais mantém os dois em empate técnico.
Já a pesquisa PoderData/Aya mostrou Flávio numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno: 45% contra 44%, com margem de erro de 1,8 ponto percentual. Foi também a primeira vez que o senador apareceu à frente do petista nas projeções de primeiro turno desde o início do levantamento, em maio.
Por que a eleição influencia ações e juros
Parte do mercado interpreta uma eventual troca de governo como possível sinal de uma política econômica mais voltada ao controle das contas públicas. Essa expectativa pode afetar preços de ações, juros futuros e o câmbio antes mesmo de qualquer mudança efetiva, porque os investidores tentam antecipar os efeitos sobre inflação, gastos públicos e atividade econômica.
O movimento, porém, não representa uma avaliação consensual sobre o próximo governo. A própria disputa eleitoral tende a elevar a volatilidade, ou seja, a intensidade das oscilações dos ativos. O fluxo de capital estrangeiro continua sendo apontado como um dos principais fatores para definir o apetite por risco no curto prazo.
Alívio nos Treasuries e payroll também movem o pregão
Além das pesquisas, o Ibovespa se beneficia de um alívio nos Treасuries, como são conhecidos os títulos do governo dos Estados Unidos. Quando os rendimentos desses papéis recuam, investimentos em mercados emergentes podem se tornar relativamente mais atraentes, porque diminui a vantagem de manter recursos aplicados em ativos considerados mais seguros.
O mercado também acompanha o payroll, dado sobre a criação de empregos nos Estados Unidos. Um resultado muito forte pode reduzir a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve e pressionar bolsas globais; já sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho podem reforçar apostas em juros americanos menores. O dado ainda estava no radar dos investidores no momento do pregão descrito.
Análise técnica vê espaço para o índice avançar
Para o BTG Pactual, o Ibovespa confirmou uma forte reversão em V, caracterizada por uma queda seguida de recuperação rápida. O índice chegou a operar cerca de 15% abaixo de sua média histórica e depois retomou a trajetória de alta, com máximas e mínimas superiores às anteriores.
O rompimento dos 180.600 pontos, resistência formada no início de agosto e posteriormente transformada em referência de sustentação, fortaleceu o movimento. As próximas referências técnicas citadas são 192.608, 198.184 e 199.273 pontos. Em caso de aceleração, o índice poderia alcançar pela primeira vez os 200 mil pontos. O Itaú BBA avalia que o Ibovespa pode retornar ao recorde próximo de 199 mil pontos se sustentar a região de 188.700 pontos.
Ações específicas e próximos riscos para o investidor
A alta não ficou restrita ao índice. As ações da CSN dispararam quase 20% após a saída de Benjamin Steinbruch do comando da companhia, decisão que passou a ser avaliada pelos investidores como um possível marco na gestão da empresa.
Para quem acompanha o mercado, o próximo passo será observar a combinação entre novos sinais eleitorais, fluxo estrangeiro e o payroll americano. A manutenção do rali depende de esses fatores continuarem favorecendo ativos de risco; mudanças nas pesquisas ou nos juros dos Estados Unidos podem aumentar rapidamente as oscilações. Os níveis técnicos indicam possibilidades de mercado, não garantias de desempenho.
