As ações da CSN (CSNA3) chegaram a disparar 19,90% nesta quinta-feira (3), liderando os ganhos do Ibovespa, após Benjamin Steinbruch deixar o cargo de CEO, posição que ocupava havia 24 anos. Para os investidores, a troca sinaliza uma possível mudança de foco na gestão, com prioridade para reduzir a dívida, vender ativos e recuperar a confiança no papel.
Mercado reage à mudança no comando da CSN
Por volta das 10h51, os papéis subiam 13,88%, cotados a R$ 6,81, depois de terem alcançado a alta de 19,90% no pregão. A reação expressiva indica que a mudança foi interpretada como positiva, embora parte do movimento também possa estar ligada ao grande volume de posições vendidas na ação.
Uma posição vendida ocorre quando investidores apostam na queda de um papel. Se a cotação sobe de forma repentina, esses investidores podem precisar recomprar as ações para limitar perdas, reforçando a alta no curto prazo. Esse mecanismo pode ter ampliado a reação inicial, mas não substitui a avaliação sobre a situação financeira da companhia.
Nova gestão assume com foco na dívida
Fabio Schvartsman será o novo CEO. Engenheiro de produção pela Poli-USP, ele já presidiu a Vale entre 2017 e 2019 e também comandou a Klabin. Antes disso, teve experiência financeira no Grupo Ultra, onde chegou a atuar como diretor financeiro.
Para Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, o perfil do executivo é adequado ao momento da CSN, que precisa de disciplina na utilização do caixa, venda de ativos e execução de um plano de recuperação. A companhia encerrou o segundo trimestre de 2026 com R$ 42,1 bilhões em dívida líquida, alavancagem de 3,49 vezes e consumo de caixa.
A empresa chegou a projetar uma queima de caixa de R$ 9,3 bilhões nos 12 meses seguintes. Nesse contexto, Schvartsman assume com a missão de reduzir entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões da dívida, segundo a avaliação da Fatorial.
Steinbruch continua no conselho
Apesar de deixar a função executiva, Steinbruch permanecerá fortemente envolvido como presidente do Conselho de Administração. O conselho acompanha e supervisiona a estratégia da companhia, enquanto o CEO conduz a operação no dia a dia.
O BTG Pactual considerou a troca inesperada, mas positiva. Para o banco, a mudança pode trazer mais clareza à estrutura de liderança e ao planejamento de sucessão, além de reforçar a desalavancagem e melhorar a alocação de capital. A permanência de Steinbruch no conselho também mantém sua influência sobre as decisões estratégicas.
Venda da CSN Cimentos é peça central
A possível venda da CSN Cimentos continua sendo um dos principais caminhos para reduzir o endividamento. A empresa analisa propostas da chinesa Huaxin e de um consórcio formado por Votorantim e Cementir.
A seleção da melhor oferta pode levar aproximadamente mais 45 dias, e a conclusão da transação é esperada até novembro. A operação pode render até R$ 12 bilhões à CSN, abaixo dos R$ 15 bilhões inicialmente pretendidos por Steinbruch.
Para os analistas, porém, tão importante quanto vender o ativo será definir o destino dos recursos. Se o dinheiro for usado para amortizar dívidas, a companhia poderá reduzir despesas financeiras e o custo de capital, além de diminuir o desconto de risco aplicado pelos investidores às ações.
O que vem a seguir para quem acompanha CSNA3
A forte alta do dia reflete expectativas sobre a nova gestão, mas a melhora efetiva da tese de investimento dependerá da execução. Os principais pontos de observação serão a redução da dívida, a geração de caixa, a conclusão da venda da CSN Cimentos e a forma como a empresa distribuirá ou reinvestirá os recursos obtidos.
Para quem investe, a troca de CEO altera a percepção sobre o futuro da companhia, mas não elimina os desafios financeiros já apresentados no balanço. A cotação pode continuar sensível a anúncios sobre ativos, dívida e resultados, enquanto consumidores e trabalhadores não têm, neste momento, uma mudança direta no cotidiano decorrente da decisão corporativa.
