Os índices de Wall Street avançam nesta quinta-feira (3) após a queda dos rendimentos dos Treasuries, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, aliviar a pressão sobre as ações sensíveis aos juros. O movimento ocorre um dia depois de o rendimento do Treasury de dez anos atingir o maior nível desde novembro de 2023 e também reflete a sinalização de um diretor do Federal Reserve, o banco central americano, sobre a próxima decisão de política monetária.
Índices sobem com alívio nos juros dos Estados Unidos
Por volta das 11h25, no horário de Brasília, o Dow Jones subia 0,56%, aos 53.344,63 pontos. O S&P 500 avançava 0,48%, aos 7.703,31 pontos, enquanto o Nasdaq ganhava 0,86%, aos 26.443,751 pontos.
Os rendimentos dos Treasuries funcionam como uma referência importante para o custo do dinheiro no mercado global. Quando caem, os títulos públicos americanos passam a oferecer uma remuneração relativamente menor, reduzindo a pressão para que investidores deixem ações, especialmente empresas de tecnologia, em busca de renda fixa.
Por que a fala de Waller mudou as apostas sobre o Fed
O diretor do Fed Christopher Waller afirmou que está inclinado a defender a manutenção dos juros na próxima reunião, caso os dados mostrem continuidade da desaceleração das pressões inflacionárias. A inflação registrada em agosto será, portanto, um dos elementos relevantes para sua decisão.
Após o discurso, a probabilidade de uma alta dos juros americanos nas próximas semanas, conforme as apostas acompanhadas pela ferramenta CME FedWatch, caiu para 50,4%, ante 63,2% na quarta-feira (2). A mudança ajuda a explicar a baixa dos rendimentos dos Treasuries e a reação positiva das bolsas, embora ainda indique um cenário bastante dividido entre os operadores.
Tecnologia ganha impulso com negócio da Nvidia
Entre os destaques corporativos, as ações da Nvidia avançavam mais de 1% após a fabricante de chips anunciar a aquisição da plataforma de inteligência artificial Hugging Face. O negócio foi avaliado em cerca de US$ 13 bilhões.
A operação reforça a atenção do mercado ao crescimento da inteligência artificial e pode dar sustentação ao setor de tecnologia no médio prazo. Ainda assim, a reação das empresas do segmento também depende do comportamento dos juros, porque boa parte de seu valor é calculada com base em expectativas de lucros futuros.
Petróleo sobe em meio à tensão no Oriente Médio
Na frente geopolítica, o petróleo Brent avançava 0,7%, acima de US$ 96 por barril, com a continuidade das hostilidades entre Estados Unidos e Irã. A alta ocorre enquanto o Pentágono estende discretamente o destacamento de tropas, sinalizando que o conflito pode se prolongar até 2027.
Para os mercados, uma guerra mais longa aumenta o risco de interrupções no fornecimento e de novos prêmios de risco nas commodities. Para consumidores e empresas, petróleo mais caro pode elevar custos de transporte, combustíveis e produção, além de dificultar a desaceleração da inflação.
O que observar no mercado a partir de agora
O desempenho de Wall Street continuará condicionado aos próximos dados de inflação dos Estados Unidos e à comunicação dos dirigentes do Fed. Uma inflação mais persistente pode recolocar pressão sobre os Treasuries e reduzir o espaço para cortes ou manutenção dos juros; dados mais fracos tendem a favorecer ações e títulos de maior risco.
Para quem investe no Brasil, o movimento americano pode afetar o dólar, os juros locais e o apetite estrangeiro por ativos brasileiros, mas não determina sozinho o comportamento do Ibovespa. No curto prazo, também será necessário acompanhar a evolução do petróleo e do conflito no Oriente Médio, que podem influenciar inflação, câmbio e expectativas econômicas.
Impacto para a sociedade
A queda dos rendimentos dos títulos americanos pode influenciar o dólar, o custo de financiamento e os preços de ativos no Brasil. Além disso, o petróleo acima de US$ 96 por barril, em meio às tensões no Oriente Médio, pode pressionar combustíveis e a inflação caso o movimento persista.
