O Banco Central decretou nesta quinta-feira (3) a liquidação extrajudicial da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e da Banvox Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, ambas com sede em São Paulo. A medida foi tomada após a identificação de graves violações às normas que regulam as instituições e, embora atinja duas distribuidoras, tem alcance limitado sobre o sistema financeiro devido ao pequeno porte das empresas.
O que motivou a liquidação das duas distribuidoras
De acordo com o Banco Central, a decisão foi motivada pela “existência de graves violações às normas legais que disciplinam as atividades das instituições”. A autoridade não detalhou, na nota divulgada, quais regras teriam sido descumpridas nem apresentou informações sobre eventuais operações específicas relacionadas ao caso.
A liquidação extrajudicial é um regime conduzido pelo regulador para interromper a operação regular de uma instituição financeira e organizar o processo de encerramento, apuração de responsabilidades e tratamento dos ativos e obrigações. Trustee e Banvox passarão a ser comandadas pela liquidante Marilena Simões Valentim.
Participação no sistema financeiro era reduzida
As duas empresas integram um conglomerado prudencial classificado no segmento S4 da regulação prudencial. Essa classificação reúne instituições sujeitas a regras de supervisão compatíveis com seu porte e perfil de risco, abaixo dos maiores conglomerados do sistema.
Em julho de 2026, Trustee e Banvox representavam, em conjunto, menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional. Na administração de recursos de terceiros, a participação era de 0,76%. Os números indicam que a liquidação, por si só, não deve produzir impacto sistêmico relevante sobre bancos, corretoras ou sobre o funcionamento geral do mercado.
Bens de controladores e ex-administradores ficam indisponíveis
A partir desta quinta-feira, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores das duas distribuidoras. A medida busca preservar patrimônio enquanto o Banco Central conduz as etapas de apuração e liquidação.
O órgão informou que continuará adotando as providências necessárias para investigar responsabilidades. O resultado dessas apurações poderá levar a sanções administrativas e ao envio de comunicações às autoridades competentes, caso sejam identificados fatos que também possam ser analisados por outras instâncias.
Quem assinou a decisão do Banco Central
O ato foi assinado pelo diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, que exerce interinamente a presidência do Banco Central durante a viagem de Gabriel Galípolo a Basileia, na Suíça.
A assinatura pelo presidente substituto não altera o conteúdo da decisão: a liquidação foi determinada pela autoridade monetária com base na fiscalização das instituições e nas violações apontadas em sua nota oficial.
O que investidores e clientes devem acompanhar agora
O próximo passo é a atuação da liquidante, responsável por conduzir os procedimentos formais de encerramento e levantar a situação patrimonial das empresas. Também devem avançar as investigações sobre a conduta de controladores e antigos administradores.
Para o mercado, o dado central é que as distribuidoras tinham participação muito pequena no sistema financeiro, o que reduz o risco de contágio amplo. Ainda assim, eventuais clientes, credores ou investidores diretamente relacionados às instituições deverão acompanhar as comunicações oficiais do Banco Central e da liquidante para saber como serão tratados contratos, recursos e obrigações no processo.
