A CSN terá um novo CEO após 24 anos, enquanto a Axia Energia aprovou um resgate de R$ 6,2 bilhões em ações e a Nestlé anunciou R$ 2 bilhões em investimentos no Brasil até 2028. As decisões movimentam empresas listadas na bolsa e envolvem mudanças no comando, devolução de recursos a acionistas e expansão da capacidade industrial no país.

Fabio Schvartsman assume o comando da CSN

Benjamin Steinbruch deixará a posição de CEO da CSN (CSNA3), encerrando um período de 24 anos à frente do principal cargo executivo da companhia. Para substituí-lo, foi eleito Fabio Schvartsman, executivo conhecido no setor de mineração e ex-presidente da Vale (VALE3).

Schvartsman comandou a Vale entre 2017 e 2019 e deixou a presidência naquele ano, após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG). A mudança na CSN representa uma alteração relevante na liderança de uma das principais empresas brasileiras de mineração e siderurgia, embora os detalhes sobre a estratégia do novo CEO não tenham sido divulgados no material.

Axia oferece resgate ou conversão de ações preferenciais

A Axia Energia (AXIA3) aprovou o resgate de 111,6 milhões de ações preferenciais classe C, em uma operação avaliada em aproximadamente R$ 6,2 bilhões. Esse volume equivale a 19,61% do total de papéis dessa classe que estão em circulação.

Ações preferenciais normalmente têm condições diferentes das ações ordinárias, especialmente em relação ao recebimento de dividendos e ao direito de voto. No caso da operação aprovada, os investidores poderão escolher entre converter os papéis preferenciais em ações ordinárias ou receber o valor correspondente ao resgate.

Esta é a terceira operação de resgate ou conversão promovida pela Axia para as ações preferenciais classe C. Na prática, a medida reduz a quantidade dessa classe de ativos em circulação e oferece aos seus titulares uma alternativa entre permanecer expostos à companhia por meio de ações ordinárias ou receber dinheiro.

Nestlé concentra plano de R$ 2 bilhões em nutrição e saúde

A Nestlé pretende investir R$ 2 bilhões até 2028 na divisão de nutrição e saúde no Brasil. O projeto inclui uma nova fábrica de fórmulas infantis em Ituiutaba, Minas Gerais, ao lado do complexo que abriga a maior operação de lácteos da companhia na América Latina.

A unidade industrial exigirá R$ 600 milhões e será instalada próxima às operações que já produzem as marcas de leite em pó Ninho e Molico. O investimento amplia a estrutura produtiva da empresa no país, mas o anúncio não detalha o número de empregos que poderá ser criado nem o cronograma de início das operações.

Cade aprova entrada da B3 na CRDC sob condições

O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sob condições, a compra de 60% da Central de Registro de Direitos Creditórios (CRDC) pela B3 (B3SA3). A operação havia sido anunciada em setembro do ano passado, em acordo com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O valor previsto para a aquisição da participação é de R$ 15 milhões. O acordo também permite à B3 comprar a fatia restante da CRDC a partir de 2030. A aprovação com condições significa que a transação poderá avançar, mas deverá cumprir exigências estabelecidas pelo órgão concorrencial.

O que acompanhar após os anúncios

Para quem investe, os principais pontos a observar são a transição de comando na CSN, os termos e o calendário do resgate ou da conversão das ações da Axia e a execução dos investimentos anunciados pela Nestlé. Cada evento pode alterar expectativas sobre estratégia, estrutura de capital ou crescimento das empresas.

Também será necessário acompanhar as condições impostas pelo Cade para a conclusão da operação envolvendo a B3 e a CRDC. Os anúncios, por si só, não determinam o comportamento futuro das ações: a reação dependerá da avaliação dos investidores sobre os efeitos financeiros e operacionais de cada medida.