O bitcoin avançou nesta quarta-feira (2), mesmo com os investidores mantendo uma postura cautelosa diante dos riscos de inflação e da alta dos juros de longo prazo nos Estados Unidos. O movimento importa porque taxas mais elevadas tendem a reduzir a atratividade de ativos considerados mais arriscados, como as criptomoedas, mas a moeda digital conseguiu permanecer próxima de US$ 77 mil enquanto o mercado aguarda novos sinais sobre a economia americana.

Bitcoin avança pouco e permanece perto de US$ 77 mil

Por volta das 16 horas, no horário de Brasília, o bitcoin subia 0,30%, cotado a US$ 77.358,09, de acordo com dados da Binance. O ether, segunda maior criptomoeda em valor de mercado, recuava 0,81%, para US$ 2.394,17, no mesmo horário.

A alta do bitcoin ocorreu sem um novo fator específico capaz de impulsionar o setor. O mercado continua concentrado nos riscos inflacionários, na valorização do petróleo e na elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasureis. Quando esses rendimentos sobem, aplicações consideradas mais seguras passam a oferecer retorno maior, o que pode diminuir o interesse por ativos voláteis.

Juros longos e inflação limitam o apetite por risco

A preocupação com a inflação afeta as expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos. Se os preços permanecerem pressionados, os investidores podem projetar juros elevados por mais tempo. Esse cenário aumenta o custo de oportunidade de manter recursos em ativos que não pagam juros, como o bitcoin, e costuma pressionar ações e criptomoedas.

O avanço do petróleo e a piora das tensões entre Estados Unidos e Irã também reforçaram a cautela. Uma alta persistente do combustível pode elevar custos de transporte e produção, dificultando a queda da inflação e contribuindo para manter os juros longos americanos em níveis elevados.

Relatório de empregos dos EUA é o próximo teste

O mercado agora acompanha o payroll, relatório mensal de empregos dos Estados Unidos que será divulgado na sexta-feira (4). O documento ajuda a indicar a força da economia e pode influenciar as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve, o banco central americano.

Um mercado de trabalho ainda aquecido pode alimentar a percepção de que a inflação continuará resistente e de que os juros precisarão permanecer altos. Já sinais de desaceleração podem aliviar os rendimentos dos títulos e favorecer ativos de maior risco. Até a divulgação, a tendência é de maior sensibilidade dos preços a dados econômicos e declarações de autoridades monetárias.

Analista vê suportes abaixo do nível de US$ 77 mil

Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin, avalia que o próximo nível de atenção está perto de US$ 75 mil. Em uma queda mais intensa, a média móvel de 200 dias, entre US$ 69 mil e US$ 70 mil, aparece como principal zona de suporte. Esse indicador é usado para acompanhar a tendência média do preço ao longo de um período mais amplo.

Na avaliação do analista, a pressão recente combina petróleo mais caro, tensões geopolíticas, juros longos americanos em alta, saída de recursos de fundos negociados em bolsa que acompanham o bitcoin e tentativas frustradas de sustentar a marca de US$ 80 mil.

Valorização recente aumenta risco de correção

Apesar da cautela atual, o bitcoin saiu de aproximadamente US$ 63 mil para US$ 81 mil em um período recente, uma valorização superior a 28%. Por isso, Fontes considera natural alguma correção depois de uma alta tão rápida. Setembro também é visto por parte do mercado cripto como um mês historicamente difícil, apelidado por alguns de “Rektember”, embora os preços tenham oscilado em uma faixa limitada nos últimos anos.

No setor, 21 instituições financeiras internacionais anunciaram um acordo para criar, no segundo semestre de 2026, uma empresa voltada ao desenvolvimento de soluções com stablecoins, moedas digitais projetadas para acompanhar o valor de uma moeda tradicional. A primeira emissão deverá ser denominada em dólar, com possibilidade de expansão futura para outras moedas do G7, especialmente o euro. O payroll e a trajetória dos juros americanos, porém, continuam sendo os principais fatores de curto prazo para o bitcoin.