As ações do Banco do Brasil (BBAS3) subiram 5,52% nesta quarta-feira (2), para R$ 22,26, após o banco atualizar o valor de um pagamento complementar de juros sobre capital próprio (JCP). O movimento também foi reforçado pela leitura de investidores sobre as pesquisas eleitorais, que aumentaram as apostas em uma possível alternância de governo e ajudaram a ação a ampliar os ganhos do Ibovespa.

Novo JCP reforça atratividade da ação

O JCP é uma forma de remuneração aos acionistas, semelhante aos dividendos, mas com tratamento contábil e tributário diferente para a empresa. Ao atualizar o valor do provento complementar, o Banco do Brasil ofereceu ao mercado uma referência mais recente sobre o retorno que será distribuído aos investidores.

A divulgação tende a influenciar o preço da ação porque parte dos investidores ajusta seus cálculos de retorno total, que considera tanto a oscilação da cotação quanto o recebimento de proventos. O material não informa o valor numérico atualizado nem a data de corte para ter direito ao pagamento.

Pesquisa eleitoral amplia alta do Banco do Brasil

Além do JCP, analistas afirmam que o Banco do Brasil passou a funcionar como um dos principais termômetros da percepção do mercado sobre as eleições. A avaliação é que uma eventual mudança de governo, especialmente para uma administração vista como mais alinhada à direita e ao mercado, poderia reduzir o receio de interferência política na estatal.

Para Luiz Mendes, head de alocação da Angatu Private, o movimento ganhou força desde a quinta-feira anterior. Nesse intervalo, a ação caminhava para completar cinco sessões consecutivas de valorização, acumulando alta de aproximadamente 6,4%. Na avaliação dele, o BB aparece entre os ativos mais sensíveis à expectativa de alternância de poder, mesmo com um cenário ainda desafiador para o agronegócio.

Por que o BBAS3 reage mais ao cenário político

Como o Banco do Brasil é uma empresa controlada pelo governo, mudanças nas expectativas eleitorais podem alterar a percepção sobre seus objetivos estratégicos. Um governo considerado mais favorável ao mercado poderia priorizar rentabilidade, eficiência e retorno aos acionistas, reduzindo o temor de decisões motivadas por interesses políticos.

Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, afirmou que as pesquisas recentes levaram o mercado a precificar uma possível troca de governo. Ele também destacou a atuação compradora de corretoras estrangeiras. A leitura é que o desempenho do BB sinaliza uma mudança de posicionamento, enquanto investidores institucionais ampliam posições relacionadas ao mercado brasileiro.

XP mantém cautela apesar da recuperação

A alta recente não eliminou os riscos apontados por parte dos analistas. Em relatório divulgado na terça-feira (1º), a XP manteve recomendação neutra para o Banco do Brasil, citando o ambiente macroeconômico difícil, os riscos de execução ligados à MP 1.376, a qualidade ainda pressionada dos ativos e a flexibilidade limitada de capital.

O banco também enfrenta dúvidas sobre a evolução da inadimplência, principalmente na carteira de pessoas físicas. Embora exista uma expectativa de melhora gradual no agronegócio, a XP avalia que a deterioração do crédito pode limitar esse benefício e reduzir o espaço para uma reprecificação positiva da ação no curto prazo.

O que acompanhar depois da alta de 5,52%

Para quem investe, o movimento combina dois fatores de naturezas diferentes: o provento tem efeito corporativo mais concreto, enquanto a influência eleitoral depende de pesquisas, declarações e mudanças nas expectativas para a disputa presidencial. Por isso, novas oscilações podem ocorrer mesmo sem alteração nos resultados operacionais do banco.

Os próximos pontos de atenção são a confirmação das condições do JCP, a evolução da inadimplência, os índices de capital e o desempenho da carteira ligada ao agronegócio. Também será necessário acompanhar se a percepção sobre as eleições se sustenta, já que a alta desta quarta-feira incorpora uma expectativa política que ainda pode mudar.