A recuperação do crédito rural pode reduzir o custo de risco do Banco do Brasil, mas a deterioração da carteira de pessoas físicas e a menor distância entre o preço da ação e seu valor histórico limitam o potencial de BBAS3, avalia a XP. Por isso, a corretora atualizou as projeções, mas manteve recomendação neutra e estabeleceu preço-alvo de R$ 21 ao fim de 2027, cerca de 1% abaixo do último fechamento.
Agro pode começar a aliviar as provisões do banco
O agronegócio é uma das principais áreas de atuação do Banco do Brasil e vinha pressionando seus resultados após uma sequência de trimestres difíceis para os produtores. Agora, a XP identifica sinais de melhora na qualidade dos ativos ligados ao campo, o que pode reduzir a necessidade de reforçar as provisões, o dinheiro separado pelos bancos para cobrir eventuais calotes.
A melhora combina fatores regulatórios e operacionais. A MP 1.376 criou mecanismos para renegociar dívidas dos produtores, com possibilidade de entrada, prazos mais longos e garantias adicionais. Ao mesmo tempo, a recuperação dos preços da soja e um câmbio mais depreciado favorecem a geração de receita dos agricultores e podem facilitar o pagamento dos compromissos.
Renegociações devem aparecer mais no quarto trimestre
A melhora, contudo, não deve ser imediata no balanço. A XP espera que o terceiro trimestre de 2026 ainda reflita o período em que produtores adiaram pagamentos e renegociações enquanto aguardavam a implementação do novo conjunto de medidas.
A expectativa é de que a adesão às regras acelere no quarto trimestre. A partir daí, a corretora projeta uma redução mais consistente do custo de risco e uma contribuição mais positiva do agronegócio para os resultados consolidados do banco.
Piora na pessoa física torna a recuperação mais lenta
O alívio esperado no crédito rural passou a dividir espaço com uma preocupação na carteira de pessoas físicas. A qualidade dos ativos piorou de forma relevante no segundo trimestre de 2026, e a deterioração não ficou restrita aos cartões de crédito: também alcançou produtos relacionados ao crédito consignado.
Na prática, um aumento de atrasos e calotes exige que o banco reserve mais recursos para absorver perdas. Esse movimento reduz o resultado que poderia ser impulsionado pela recuperação do agro e ajuda a explicar por que a XP espera uma melhora gradual da rentabilidade, em vez de uma recuperação rápida.
Projeções maiores para provisões e valuation menos atraente
O efeito já foi incorporado às estimativas da XP. Para 2026, a corretora elevou em 2% sua projeção de provisões, refletindo a pressão adicional esperada na carteira de pessoas físicas.
Além dos fundamentos, a avaliação da ação também limita o espaço para uma alta mais expressiva. A XP considera que BBAS3 é negociada acima de sua média histórica de preço sobre lucro, indicador que compara o valor de mercado da empresa com o lucro que ela gera. Quanto maior esse múltiplo em relação ao histórico, menos provável tende a ser uma reprecificação positiva sem uma melhora operacional acima das expectativas.
O que os investidores devem acompanhar em BBAS3
O ponto central para os próximos trimestres será verificar se a recuperação dos produtores será suficiente para reduzir as perdas no crédito rural e compensar a piora na pessoa física. A velocidade das renegociações a partir do quarto trimestre também será importante para medir quando o alívio no custo de risco chegará aos resultados.
Para o acionista, a avaliação da XP indica uma equação mais equilibrada: há possibilidade de recuperação dos fundamentos, mas parte desse cenário já parece refletida na cotação. O preço-alvo de R$ 21 para o fim de 2027 e a recomendação neutra mostram que, na visão da corretora, o banco precisará melhorar mais rapidamente do que o mercado espera para abrir espaço a uma valorização relevante.
