A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou, na terça-feira (1º), o cancelamento do registro de companhia aberta da T4F (SHOW3), autorizando o fechamento de capital da empresa. Com isso, as ações deixam de ser negociadas na B3, e a companhia também sai do Novo Mercado, segmento que reúne empresas com regras mais rigorosas de governança.

O que muda com o cancelamento do registro

A aprovação foi concedida para o registro na categoria “A”, que permite a negociação pública de ações. Com o cancelamento, a T4F passa à condição de companhia fechada e deixa de cumprir as obrigações periódicas de divulgação de informações exigidas de empresas listadas.

Na prática, a SHOW3 não continuará disponível no pregão da B3. A decisão encerra o processo iniciado pela controladora Rise Entertainment S.à r.l., sediada em Luxemburgo, que avaliou que os custos e as exigências regulatórias de manter a companhia aberta já não eram proporcionais aos benefícios dessa estrutura.

Como ficam os acionistas que ainda têm SHOW3

Os investidores que não venderam as ações na Oferta Pública de Aquisição (OPA) e também não utilizaram o período de venda residual, conhecido como put, deverão negociar diretamente com o Banco Bradesco, escriturador dos papéis da T4F. O pagamento será feito em até 15 dias depois da formalização do pedido pelo acionista.

A empresa informou que menos de 5% das ações permanecem em circulação. Esse percentual permite a adoção do resgate compulsório, também chamado de squeeze-out, pelo qual os papéis remanescentes podem ser adquiridos obrigatoriamente. Para isso, a T4F pretende convocar uma Assembleia Geral Extraordinária.

Preço definido na oferta que antecedeu a saída

O leilão da OPA ocorreu em 20 de julho de 2026, na B3, com intermediação do BTG Pactual. O preço foi fixado em R$ 8 por ação, acrescido de juros equivalentes a 100% do CDI, calculados desde 28 de maio de 2025 até a data de liquidação.

Esse valor representou um prêmio de aproximadamente 25,8% em relação à cotação média ponderada pelo volume negociado nos 12 meses anteriores ao anúncio da intenção de fechar o capital. A operação reuniu a OPA para cancelamento de registro e a OPA por aumento de participação.

Como funciona a correção pela Selic

Após o leilão, os acionistas que não haviam participado da oferta original tiveram 30 dias, contados a partir da liquidação, para vender os papéis pelo mesmo preço da OPA, atualizado pela Selic. A taxa básica funciona, nesse caso, como referência para preservar o valor financeiro do pagamento ao longo do tempo.

No resgate compulsório, previsto no artigo 4º, parágrafo 5º, da Lei das Sociedades por Ações, as ações remanescentes também serão adquiridas pelo preço da OPA, corrigido pela Selic até a data da operação. A atualização não representa um novo preço de mercado, mas um ajuste pelo período transcorrido.

Próximos passos para a conclusão do processo

A T4F abriu capital em 2011 e ingressou no Novo Mercado no mesmo ano. Com a decisão da CVM, a etapa regulatória do fechamento foi aprovada, mas ainda deverá ocorrer a convocação da assembleia para deliberar sobre a aquisição obrigatória dos papéis que permanecerem nas mãos dos minoritários.

Para quem investe, a consequência prática é acompanhar as comunicações da companhia e do escriturador sobre os procedimentos de pagamento. Depois da conclusão dessas etapas, a T4F seguirá como empresa fechada, sem ações negociadas na B3 e sem a mesma rotina de prestação pública de informações ao mercado.