O Magazine Luiza (MGLU3) anunciou nesta quarta-feira (2) uma parceria comercial com o Mercado Livre para vender cerca de 27 mil produtos de estoque próprio dentro do marketplace da plataforma. A operação envolverá itens das marcas Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos, com entregas realizadas pela Magalog, braço logístico do grupo. O acordo amplia o alcance digital da varejista justamente enquanto a companhia busca recuperar o ritmo do comércio eletrônico.
Como funcionará a venda de produtos do Magalu
Os produtos são classificados como 1P, abreviação usada no varejo para indicar mercadorias compradas e mantidas no estoque da própria empresa. Nesse modelo, o Magazine Luiza controla a disponibilidade dos itens e a operação comercial, em vez de apenas intermediar a venda de produtos de terceiros.
O Mercado Livre, por sua vez, funciona como o canal adicional de exposição e venda. A estratégia permite que o Magalu alcance consumidores que já navegam na plataforma concorrente, sem depender exclusivamente de seus próprios aplicativos, sites e lojas físicas para gerar tráfego.
Magalog pode ampliar entregas e pontos de retirada
A entrega dos pedidos será feita pela Magalog, operador logístico integrado ao ecossistema do Magazine Luiza. A parceria prevê possibilidade de expansão dos envios, inclusive para produtos pesados, como geladeiras, fogões e móveis com mais de 30 quilos.
Também existe a possibilidade de que lojas físicas do Magalu sejam usadas futuramente como pontos de retirada e devolução de produtos vendidos por outros parceiros do Mercado Livre. Essa etapa ainda representa uma frente potencial do acordo, e não a operação inicial anunciada pelas empresas.
Parceria segue estratégia de acelerar o comércio eletrônico
O acordo com o Mercado Livre se soma a iniciativas semelhantes firmadas com Amazon, AliExpress, Americanas, Itaú Shopping e Livelo. De acordo com o Magazine Luiza, as vendas realizadas nesses canais, combinadas com os negócios em suas próprias plataformas, fazem do grupo o maior vendedor do país e reforçam sua liderança na comercialização de produtos 1P.
Para o presidente-executivo Frederico Trajano, a audiência do comércio eletrônico brasileiro está cada vez mais distribuída entre diferentes plataformas. A ideia é somar o público dos canais próprios ao de grandes marketplaces, acelerando as vendas on-line no curto prazo sem abandonar a busca por rentabilidade.
O que os números recentes mostram sobre o Magalu
No segundo trimestre de 2026, as vendas totais do grupo, incluindo lojas físicas, comércio eletrônico com estoque próprio e marketplace 3P — modelo em que vendedores parceiros anunciam seus próprios produtos — somaram R$ 14,5 bilhões. O valor representou alta de 10,3% nas lojas físicas em relação ao mesmo período do ano anterior, ou crescimento de 9,7% considerando apenas unidades abertas há mais tempo.
Na direção oposta, o comércio eletrônico total recuou 11,9% na comparação anual do segundo trimestre. A expansão por plataformas parceiras busca justamente recuperar esse canal, melhorar o giro dos estoques e diluir despesas operacionais.
O ambiente de juros ainda pesa sobre o varejo. A Selic elevada encarece empréstimos e o capital de giro, além de aumentar o custo de antecipar recebíveis — valores de vendas parceladas que a empresa transforma em dinheiro antes do vencimento. O CFO Roberto Belissimo afirmou que a queda dos juros futuros já permite descontos de recebíveis a custos inferiores à taxa básica, mesmo com a Selic ainda acima de 14%.
Próximos passos para investidores e consumidores
Para o Magazine Luiza, a parceria pode aumentar a exposição dos produtos, favorecer o giro de estoque e contribuir para a geração de caixa, mas seus efeitos dependerão do volume de vendas e dos custos de operação. A companhia também pretende combinar a recuperação do comércio eletrônico com a continuidade do crescimento nas lojas físicas.
Para o consumidor, a novidade amplia a oferta de produtos do Magalu dentro de um dos maiores canais de compras on-line do país. Para quem acompanha a ação MGLU3, os próximos resultados deverão mostrar se a estratégia consegue transformar maior audiência em crescimento de receita e melhora da rentabilidade, sem criar pressão adicional sobre despesas e logística.
