O Ibovespa alcançou nesta terça-feira (1º) a décima alta consecutiva, sustentado principalmente por Petrobras, Vale e bancos, e abriu setembro com avanço de 1,30%, aos 179.722,48 pontos. O movimento destoou das bolsas internacionais e levou o índice a superar 181 mil pontos durante o pregão, em uma sequência positiva reforçada pelo petróleo e pela leitura de que a economia brasileira pode abrir espaço para cortes de juros.
Petrobras lidera ganhos com petróleo acima de US$ 90
As ações da Petrobras acompanharam a disparada do petróleo no exterior. Os papéis preferenciais (PETR4) subiram 4,11%, a R$ 46,87, enquanto os ordinários (PETR3) avançaram 4,14%, a R$ 40,29. A estatal também anunciou novo recorde mensal de produção em julho, o que ajudou a manter os papéis entre os mais negociados da Bolsa.
O Brent para novembro avançou 4,60%, a US$ 94,65 por barril, e o WTI para outubro ganhou 5,20%, a US$ 90,22. A alta veio após novos ataques dos Estados Unidos contra alvos ligados à Guarda Revolucionária do Irã e o aumento dos riscos para a navegação no Estreito de Ormuz. Petróleo mais caro tende a favorecer empresas produtoras, mas pode elevar custos de transporte e pressionar a inflação.
Vale e bancos ampliam a sustentação do índice
A Vale (VALE3) fechou em alta de 0,58%, a R$ 78,30, mesmo com o minério de ferro operando praticamente estável na China. O papel tem peso relevante na carteira do Ibovespa e, junto com Petrobras e os bancos, representa cerca de metade da composição teórica do índice.
Entre as instituições financeiras, Banco do Brasil (BBAS3) subiu 2,27%, Bradesco (BBDC4) ganhou 1,22% e Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 0,95%. O Santander (SANB11) foi a exceção, com queda de 0,74%. A B3 (B3SA3) também subiu, 2,47%, apesar de revisões para baixo em projeções de analistas.
PIB cresce, mas mostra perda de força da economia
O mercado também reagiu ao crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano. O resultado veio ligeiramente acima do esperado, mas foi concentrado na agropecuária e na indústria extrativa, setores menos sensíveis ao ciclo de juros.
A indústria de transformação perdeu força, e o PMI industrial caiu de 47,5 em julho para 46,3 em agosto. Como índices abaixo de 50 indicam contração, o dado apontou a deterioração mais intensa da atividade em 40 meses. Economistas avaliam que a desaceleração doméstica pode permitir novos cortes da Selic, caso a inflação de serviços e as expectativas continuem cedendo.
Dólar recua enquanto cenário eleitoral entra no radar
O dólar à vista caiu 0,47%, a R$ 5,156, depois de oscilar entre R$ 5,138 e R$ 5,202. A moeda foi influenciada pelo maior apetite por ativos brasileiros e pelas novas pesquisas sobre a eleição presidencial de 2026, que apontaram redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno.
Os juros futuros, contratos que refletem as apostas para a taxa básica nos próximos meses, terminaram em queda em todos os prazos. Quando essas taxas recuam, investimentos de renda fixa pós-fixados podem oferecer remuneração menor no futuro, enquanto ações tendem a ganhar suporte porque o custo de financiamento e a taxa usada para avaliar lucros futuros diminuem.
Exterior negativo deixa riscos para as próximas sessões
As bolsas de Nova York encerraram em baixa, pressionadas pelo petróleo mais caro e pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Tre cadauries. O temor é que o choque de energia reacenda a inflação e leve o Federal Reserve a manter juros elevados por mais tempo. As bolsas europeias também fecharam no vermelho.
Para o investidor brasileiro, a décima alta seguida mostra a força recente de Petrobras, bancos e ações ligadas a commodities, mas também aumenta a sensibilidade do mercado a uma eventual reversão do petróleo, das pesquisas eleitorais ou das expectativas de juros. Para consumidores e trabalhadores, os próximos sinais relevantes serão a evolução dos combustíveis, da inflação e da atividade econômica, além dos dados que orientarão as decisões do Banco Central.
Impacto para a sociedade
A alta do petróleo pode pressionar combustíveis e outros preços no Brasil se persistir, enquanto o dólar mais baixo reduz o custo de produtos importados. O PIB e os sinais de desaceleração da economia também influenciam as decisões sobre juros, crédito e emprego nos próximos meses.
