As ações da CSN (CSNA3) subiram 7,14% nesta terça-feira (1º), a R$ 5,70, e lideraram as altas do Ibovespa, enquanto investidores acompanham a definição do comprador da CSN Cimentos. A operação ganhou relevância porque pode gerar entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões para a companhia, valor capaz de reduzir parte de uma dívida líquida próxima de R$ 40,5 bilhões.
Disputa pela CSN Cimentos entra na fase decisiva
A CSN deve escolher ainda nesta semana o grupo que terá exclusividade para negociar a compra da divisão de cimentos. A disputa envolve a chinesa Huaxin e uma proposta conjunta do Grupo Votorantim com a italiana Cimentir.
A exclusividade não representa necessariamente a conclusão imediata da venda. Ela significa que um dos interessados passa a negociar prioritariamente com a CSN, o que reduz a incerteza sobre quem conduzirá as tratativas e pode acelerar a estruturação do contrato e das condições financeiras.
Por que a possível venda impulsionou CSNA3
O mercado observa a operação principalmente pelo efeito potencial sobre o endividamento. Uma entrada de caixa na faixa de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões teria tamanho relevante diante da dívida líquida registrada ao fim do segundo trimestre de 2026, de aproximadamente R$ 40,5 bilhões.
Para Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, o destino dos recursos será mais importante do que a venda do ativo em si. Caso uma parcela relevante seja usada para pagar dívidas, a CSN poderá diminuir despesas financeiras e o custo de capital, dois fatores que pesam sobre a avaliação da empresa.
Valor estimado ficou abaixo do objetivo inicial
O negócio é avaliado em cerca de R$ 12 bilhões. O presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, tinha como objetivo obter até R$ 15 bilhões com a operação, o que indica que o valor estimado atualmente está abaixo da meta inicial.
Mesmo assim, a transação pode ser considerada material para a estrutura financeira da companhia. O impacto efetivo dependerá do preço final, da parcela destinada à redução da dívida e de eventuais custos ou condições associados ao acordo com o comprador.
CSNA3 avançou mais que a CSN Mineração
Por volta das 15h32, a CSNA3 subia 7,14%, para R$ 5,70, enquanto o Ibovespa avançava 1,70%, aos 180.440,21 pontos. O desempenho mostra que o movimento positivo da ação foi mais intenso do que a alta geral do mercado naquele momento.
A CSN Mineração (CMIN3), divisão voltada ao minério de ferro, avançava 3,35%, a R$ 36,36. A diferença reforça a leitura de que a reação dos investidores estava mais ligada à possível venda da CSN Cimentos e ao alívio financeiro para a holding do que a um movimento uniforme em todos os negócios do grupo.
O que acompanhar depois da alta desta terça-feira
Para quem investe, os próximos pontos de atenção são a escolha do comprador exclusivo, o valor efetivamente negociado e a destinação dos recursos. A redução da dívida pode melhorar o resultado financeiro da CSN, mas isso só ocorrerá de forma concreta quando houver definição sobre os termos da operação.
Até lá, a alta de 7% reflete a expectativa de uma transação capaz de atacar uma das principais preocupações do mercado com a empresa: a alavancagem elevada. O avanço da ação, portanto, incorpora uma possibilidade ainda em negociação, e não um efeito financeiro já realizado.
