Operadores do JPMorgan abandonaram a visão otimista para as ações dos Estados Unidos e passaram a recomendar uma postura taticamente cautelosa nas próximas semanas. A mudança ocorreu depois de o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmar que a inflação americana não está desacelerando de forma significativa, elevando a incerteza sobre os juros antes da reunião de 16 de setembro.
JPMorgan reduz exposição ao risco antes da reunião do Fed
Os estrategistas liderados por Andrew Tyler, chefe de inteligência de mercado do banco nos Estados Unidos, deixaram de lado a avaliação positiva para adotar uma posição neutra no curto prazo. A leitura é que os fundamentos continuam sólidos, apoiados por indicadores econômicos e resultados corporativos, mas fatores temporários podem manter as bolsas sem direção clara.
O principal ponto de dúvida é o possível retorno das altas de juros. Warsh tem oferecido menos indicações antecipadas sobre sua estratégia do que presidentes anteriores do Fed, o que dificulta a formação de expectativas pelos investidores. Se o banco central iniciar um novo ciclo de aperto, ainda não está claro por quanto tempo os juros permanecerão elevados.
Mercado já vê 70% de chance de alta de 0,25 ponto
As apostas nos contratos de swaps, instrumentos usados para projetar a trajetória dos juros, indicam probabilidade próxima de 70% de uma alta de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro. O movimento elevou o rendimento do título do Tesouro americano de dez anos para acima de 4,75% nesta segunda-feira, o maior nível desde janeiro de 2025.
Juros mais altos tornam os títulos públicos americanos mais atraentes e aumentam a taxa usada para avaliar empresas e projetos. Na prática, isso pode reduzir o valor presente dos lucros futuros e pressionar especialmente ações de crescimento, como as ligadas à inteligência artificial, que dependem mais de expectativas de ganhos adiante.
Inflação e emprego serão decisivos para Wall Street
Para Tyler, o relatório de emprego de agosto, previsto para sexta-feira, será importante para os mercados. As estimativas apontam criação de 55 mil vagas, após a queda inesperada do emprego em julho. O resultado projetado ficaria próximo da média observada ao longo deste ano.
O estrategista considera, porém, que a inflação ao consumidor, programada para 11 de setembro, terá peso ainda maior na decisão do Fed. Warsh avalia que a economia já opera em condições de pleno emprego, o que pode aumentar a preocupação com pressões persistentes sobre os preços.
Setembro reúne riscos para as ações americanas
O S&P 500 recuava 0,5% por volta das 12h30 em Nova York, pressionado principalmente pelas empresas de serviços públicos, que são sensíveis aos juros. As ações de energia limitaram parte das perdas com a alta do petróleo após novos ataques entre Estados Unidos e Irã.
Apesar da queda do dia, o índice caminhava para encerrar agosto com alta aproximada de 2,5%, seu melhor desempenho para o mês desde 2021. A chegada de setembro, historicamente um período mais fraco para as bolsas americanas, ocorre junto de dúvidas sobre a sustentação do rali de inteligência artificial e sobre o efeito de novos aumentos de juros.
O que observar antes da decisão de 16 de setembro
O posicionamento líquido dos investidores em ações ainda é amplamente neutro, segundo Tyler, o que indica que não há uma aposta concentrada em uma direção. Mesmo assim, ele afirma que mercados de alta costumam terminar com um ciclo de aumento de juros ou com uma recessão. Na avaliação do estrategista, uma recessão parece altamente improvável nos próximos trimestres.
Para quem acompanha investimentos, os próximos marcos são o relatório de emprego, a inflação de 11 de setembro e a decisão do Fed em 16 de setembro. Esses dados podem alterar as expectativas para os juros, o rendimento dos títulos americanos, o dólar, o petróleo e as bolsas globais, incluindo os ativos negociados no Brasil.
Impacto para a sociedade
A possível alta dos juros americanos pode fortalecer o dólar e encarecer o financiamento internacional, com reflexos sobre produtos importados e crédito. O petróleo mais caro também pode pressionar custos de transporte e energia, embora o material não indique uma mudança específica nos preços ao consumidor brasileiro.
