A agenda econômica de 31 de agosto a 4 de setembro terá como principais destaques o PIB brasileiro do segundo trimestre, o payroll dos Estados Unidos e os índices PMI, que acompanham a atividade de empresas. Os dados serão importantes para avaliar a força da economia brasileira e calibrar as expectativas para os juros do Federal Reserve e do Banco Central Europeu.

PIB brasileiro mostrará se a economia perdeu força

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira (1º). O indicador medirá o desempenho da economia no segundo trimestre, depois de uma expansão de 1,1% nos três primeiros meses de 2026.

O resultado ajudará a esclarecer se a atividade continuou acelerada ou perdeu força ao longo do segundo trimestre. Uma desaceleração pode reforçar a percepção de que a economia está respondendo aos juros e reduzir pressões sobre a inflação. Já um crescimento mais firme tende a manter o debate sobre uma política monetária mais restritiva.

Dados fiscais e de indústria completam agenda doméstica

Antes do PIB, o Banco Central publica na segunda-feira (31) o Boletim Focus e as estatísticas fiscais de julho. O relatório trará informações sobre dívida bruta e líquida em relação ao PIB, resultado primário e resultado nominal do setor público consolidado.

Na quarta-feira (2), o IBGE divulga a produção industrial de julho. Também serão conhecidos o fluxo cambial e, ao longo da semana, os PMIs industrial, de serviços e composto. Esses índices são baseados em pesquisas com empresas e ajudam a identificar mudanças em produção, encomendas, emprego e demanda antes de outros indicadores oficiais. A balança comercial de agosto encerra a agenda brasileira na sexta-feira (4).

Payroll será o principal teste para os juros nos EUA

Nos Estados Unidos, o foco estará no mercado de trabalho. O payroll de agosto, previsto para sexta-feira (4), reunirá dados de criação de vagas, taxa de desemprego e evolução dos salários. Como o emprego influencia o consumo e pode pressionar os preços, o relatório costuma afetar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve.

A leitura será acompanhada pelo relatório ADP, na quarta-feira (2), pelos pedidos semanais de seguro-desemprego e pelo levantamento Jolts, que mede vagas abertas, contratações e desligamentos. Na terça-feira (1º), também saem os PMIs industriais e o índice industrial do ISM. O Livro Bege, publicado pelo Fed na quarta-feira, reunirá avaliações dos 12 distritos do banco central sobre atividade, emprego e inflação.

Inflação europeia e atividade global entram no radar

Na zona do euro, a prévia da inflação de agosto e a taxa de desemprego serão divulgadas na terça-feira. Os números poderão alterar as apostas para a política monetária do Banco Central Europeu, especialmente porque juros mais altos encarecem o crédito e tendem a reduzir o consumo e o investimento.

A região também terá PMIs industrial, de serviços e composto, além de dados de preços ao produtor e vendas no varejo. No Reino Unido, os mercados não operam normalmente na segunda-feira devido ao feriado Summer Bank Holiday, enquanto os PMIs e um discurso do presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, completam a programação.

China e Japão ajudam a medir o ritmo da economia mundial

A China divulga os PMIs oficiais da indústria e do setor não manufatureiro, além dos índices privados da RatingDog/S&P Global. Os dados indicarão se a segunda maior economia do mundo ganhou tração em agosto, com possíveis reflexos sobre commodities, exportações brasileiras e moedas de países emergentes.

No Japão, produção industrial, vendas no varejo e PMIs de indústria e serviços oferecerão sinais sobre consumo e atividade. Para quem investe, trabalha ou acompanha o custo de vida, o conjunto de números será relevante porque pode alterar juros, câmbio e condições de crédito. O mercado deverá reagir principalmente à combinação entre o PIB brasileiro, a força do emprego americano e a direção mostrada pelos PMIs.

Impacto para a sociedade

Os indicadores podem influenciar decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos, afetando o custo de empréstimos, o rendimento de investimentos e o câmbio. Dados de atividade e emprego também ajudam a sinalizar o ritmo de crescimento, com possíveis efeitos sobre contratações, consumo e arrecadação pública.