O bitcoin (BTC) avançou 1,7% nas últimas 24 horas e voltou a se aproximar de US$ 79 mil neste domingo (30), cotado a US$ 78.880,51, depois de ter operado perto de US$ 77 mil. A recuperação ocorre após a forte queda de sexta-feira (28) e recoloca a maior criptomoeda do mundo no radar dos investidores, embora as incertezas sobre os juros nos Estados Unidos ainda limitem o apetite por risco.

Bitcoin tenta recuperar as perdas da sexta-feira

Na sexta, o bitcoin recuou da região de US$ 81 mil para cerca de US$ 76 mil, em um movimento de busca por segurança que também atingiu outros ativos digitais. A alta deste domingo representa uma recuperação parcial, mas o mercado continua sensível a novas declarações e indicadores sobre a política monetária americana.

O ethereum (ETH) era negociado a US$ 2.474,65, com ganhos de 1,7% em 24 horas e de 2,1% em sete dias. Entre os demais ativos, a solana (SOL) subia 3,5% no dia e acumulava alta de 13,4% na semana, enquanto a XRP avançava 1,8% em 24 horas e 5,7% em sete dias.

Por que o discurso do Fed pressionou as criptomoedas

A piora do humor começou após declarações de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve (Fed), durante o simpósio de Jackson Hole. Ele afirmou que o banco central americano “terá trabalho a fazer” caso a inflação não avance rapidamente para a meta de 2% e avaliou que o progresso no combate à alta de preços nos últimos dois anos foi modesto.

O alerta ganhou força com o índice de preços de gastos de consumo pessoal (PCE), medida de inflação acompanhada pelo Fed, que registrou alta anual de 3,7% em agosto. O resultado ficou acima da meta de 2% e das projeções do mercado, aumentando a possibilidade, na avaliação dos investidores, de uma elevação dos juros já na reunião de setembro.

Juros maiores reduzem o apetite por risco

Quando os juros americanos sobem ou há expectativa de alta, os títulos públicos dos Estados Unidos tendem a ficar mais atrativos. Isso pode levar investidores a reduzir posições em ativos mais voláteis, como criptomoedas e ações, porque o retorno potencial de aplicações consideradas mais seguras aumenta.

Esse mecanismo ajuda a explicar a queda registrada na sexta-feira. A aversão ao risco eliminou dezenas de bilhões de dólares em valor de mercado das criptomoedas e provocou entre US$ 480 milhões e US$ 490 milhões em liquidações de posições futuras em 24 horas. Na prática, contratos alavancados foram encerrados quando as perdas atingiram níveis que exigiam garantias adicionais.

Como estão as principais criptomoedas neste domingo

Além do bitcoin e do ethereum, a BNB era negociada a US$ 698,92, com alta de 1,7% no dia e de 0,8% na semana. A tether (USDT) e a USDC, classificadas como stablecoins por buscarem manter cotação próxima de US$ 1, estavam em US$ 0,9999, praticamente estáveis.

Também subiam a Hyperliquid, a US$ 83,97, com avanço diário de 3%; a TRON, a US$ 0,3405, com alta de 0,6%; e a Zcash, a US$ 854,68, com ganho de 5,7%. Os números mostram uma recuperação disseminada, mas não afastam o risco de novas oscilações caso as expectativas para o Fed mudem.

O que pode mexer com o bitcoin nos próximos dias

O bitcoin permanece dependente da trajetória da inflação, da atividade econômica e do mercado de trabalho dos Estados Unidos. Esses dados ajudam a definir se o Fed terá espaço para manter, reduzir ou elevar os juros, decisões que influenciam o fluxo global de recursos e o valor de ativos mais arriscados.

Para quem investe, a alta de 1,7% neste domingo indica uma tentativa de recuperação depois do tombo, mas não confirma uma mudança definitiva de tendência. Para consumidores e trabalhadores brasileiros, o movimento não altera diretamente contas ou emprego no curto prazo; seus efeitos são principalmente financeiros e podem aparecer de forma indireta se a política do Fed provocar mudanças relevantes no dólar e no ambiente global.