O Itaú BBA calcula que as ações da C&A (CEAB3) podem chegar a R$ 18 até o fim de 2027, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 121% em relação ao nível atual. Mesmo após reduzir estimativas para a varejista, o banco manteve a recomendação de compra e vê espaço para a companhia gerar caixa, pagar dividendos e recomprar ações.

Caixa pode financiar dividendos e recompra

O cenário-base do Itaú BBA aponta para um dividend yield — retorno dos dividendos em relação ao preço da ação — de cerca de 6% em 2027. Em uma hipótese mais favorável, a remuneração total ao acionista poderia chegar a 14% com a combinação de dividendos e recompra de ações.

Esse segundo cálculo é chamado de retorno ao acionista ou shareholder yield. Ele soma o dinheiro distribuído diretamente aos investidores com o efeito da recompra, que reduz a quantidade de ações em circulação e pode aumentar a participação proporcional de cada acionista. A estimativa, porém, é uma simulação do banco, não uma promessa da administração.

Como a C&A pode gerar R$ 340 milhões

O Itaú BBA projeta um Ebitda — indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — de aproximadamente R$ 1,2 bilhão em 2027, antes dos efeitos contábeis do IFRS 16, norma que contabiliza contratos de aluguel como arrendamentos.

Parte desse resultado será consumida pelo funcionamento e pela expansão do negócio. A estimativa inclui R$ 145 milhões destinados ao capital de giro, que financia estoques e vendas, e cerca de R$ 700 milhões em investimentos, equivalentes a 7,9% da receita líquida. A varejista também teria R$ 250 milhões com a monetização de créditos tributários.

Depois de impostos, despesas financeiras e outros efeitos, o banco calcula um fluxo de caixa livre para os acionistas de aproximadamente R$ 340 milhões em 2027. Esse é o dinheiro que poderia ser direcionado a dividendos ou recompras após as necessidades operacionais e de investimento.

Investimentos continuam até 2030

A possibilidade de distribuir mais recursos não significa que a C&A pretende reduzir a expansão. A empresa indicou que deve manter investimentos entre 7% e 8% da receita líquida até 2030, faixa próxima dos 7,2% registrados nos 12 meses encerrados no segundo trimestre de 2026.

Os recursos devem financiar a abertura de 60 a 80 lojas, a reforma de 100 a 120 unidades no modelo Energia, além de projetos de tecnologia e mudanças na estrutura logística. A estratégia busca elevar a produtividade das lojas e as vendas por metro quadrado, em vez de apenas retirar dinheiro do negócio atual.

Plano Full Power mira lojas e canais digitais

O planejamento para o período de 2027 a 2030, batizado de Full Power, prevê acelerar a expansão física e ampliar a integração entre lojas e canais digitais. A companhia também pretende dobrar a participação do digital nas vendas.

O plano inclui ainda reforço da oferta de produtos e iniciativas para aprofundar o relacionamento com os clientes. Na avaliação do banco, a execução dessas medidas é essencial para que a geração de caixa projetada se confirme em um ambiente ainda desafiador para o consumo.

O que acompanhar antes de uma eventual distribuição

A C&A indicou que poderia operar com dívida líquida equivalente a até 0,5 vez o Ebitda. Isso representa uma referência para o nível de endividamento, mas não significa que a empresa planeje tomar empréstimos no curto prazo para bancar um dividendo extraordinário. Pelas projeções do Itaú BBA, a companhia deve terminar 2027 com caixa líquido, sem considerar os passivos de arrendamento.

Para quem investe, os próximos pontos de atenção são a execução do plano de lojas e digital, a conversão do resultado em caixa e a decisão da administração sobre dividendos e recompras. A valorização estimada depende desses fatores e pode mudar conforme o desempenho operacional, o consumo e as condições do mercado.