A guerra e o reforço das sanções dos Estados Unidos estão agravando a pressão sobre a economia iraniana, enquanto Teerã promete resistir, buscar uma saída diplomática e preservar sua influência sobre o Estreito de Ormuz. O governo reconhece o impacto sobre a população e o comércio, mas não sinaliza recuo nas posições que mantêm as negociações travadas.

Sanções elevam inflação e reduzem o comércio exterior

Seis meses depois do início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, Washington intensificou a ofensiva financeira contra Teerã. O governo do presidente Donald Trump chamou a nova etapa de “Dia D econômico” e advertiu países a cortarem relações comerciais com o Irã sob risco de sanções secundárias — punições aplicadas a empresas e governos de terceiros que mantenham negócios com o país sancionado.

A estratégia amplia os efeitos do conflito sobre uma economia já pressionada. A inflação anual chegou a 66% em julho, segundo os dados apresentados no material, reduzindo o poder de compra e encarecendo bens e serviços. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que as exportações e importações caíram quase 35% por causa das sanções americanas e do bloqueio naval dos portos iranianos.

Governo promete conter preços e depender menos do dólar

Em comunicado divulgado pela mídia estatal, o governo afirmou que a resposta às dificuldades econômicas é uma prioridade central. Entre as medidas citadas estão conter a inflação, administrar os mercados, criar empregos, direcionar investimentos para a produção doméstica e reduzir gradualmente a dependência do dólar.

Na prática, restringir o acesso à moeda americana dificulta pagamentos internacionais, importações e financiamento do comércio. Ao mesmo tempo, a queda das importações pode reduzir a oferta de produtos e insumos, enquanto a menor entrada de receitas de exportação limita a capacidade do governo de sustentar a moeda e controlar preços. O líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, também pediu atenção aos problemas de inflação, desemprego, preços e abastecimento.

Venda de petróleo trouxe alívio temporário

Pezeshkian afirmou que o Irã conseguiu vender cerca de 90 milhões de barris de petróleo durante a vigência de um memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos em junho. O documento permitiu temporariamente as vendas e previa alívio imediato das sanções, além da liberação de ativos iranianos congelados.

O acordo, assinado em 17 de junho, fracassou pouco depois por divergências sobre seus termos, principalmente em relação ao status do Estreito de Ormuz. O episódio mostrou a importância das exportações de petróleo para a geração de divisas do Irã, mas também a fragilidade de uma recuperação baseada em uma suspensão provisória das restrições americanas.

Estreito de Ormuz mantém peso nas negociações

Teerã afirma manter o controle sobre o Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte internacional de energia. A capacidade iraniana de interferir na navegação dá ao país influência sobre os mercados globais de petróleo, mesmo sob forte pressão econômica.

Essa posição aumenta o custo político e econômico de um acordo. Os Estados Unidos precisam avaliar os efeitos de novas punições sobre parceiros comerciais e sobre a economia global; por isso, o Departamento do Tesouro evitou até agora atingir diretamente grandes compradores do petróleo iraniano, como China e Índia.

O que observar no Irã e nos mercados

Para a economia iraniana, os próximos sinais serão a trajetória da inflação, a capacidade de manter empregos e produção e o comportamento das exportações de petróleo. A combinação de comércio exterior menor, moeda pressionada e restrições financeiras tende a dificultar o controle dos preços e a recuperação da atividade.

Para investidores e empresas, a disputa mantém o risco de novos choques nos mercados globais de energia caso o tráfego por Ormuz seja afetado. O caminho diplomático continua aberto, mas depende da retomada do memorando, da solução das divergências sobre a passagem marítima e de algum alívio nas sanções. Até lá, Teerã indica que tentará administrar os danos sem abandonar sua estratégia de resistência.