O Ibovespa completou nesta quinta-feira (27) a sétima alta consecutiva, avançando 0,43%, aos 175.329,45 pontos, enquanto o dólar comercial subiu 0,21% e encerrou o dia a R$ 5,162. A sequência levou o principal índice da B3 ao maior nível de fechamento em duas semanas, apoiado por Petrobras, empresas de commodities e pelo ambiente externo mais favorável a ativos de risco.

Petrobras e ações de commodities sustentam a Bolsa

A recuperação do Ibovespa ganhou força ao longo do pregão, depois de uma manhã pressionada por ações de peso. Petrobras liderou a virada, com alta de 3,00% nas ações ordinárias (PETR3) e de 3,02% nas preferenciais (PETR4), que foram as mais negociadas da B3. Vale (VALE3) subiu 0,84%.

O movimento acompanhou a valorização do petróleo. O Brent para outubro avançou 2,12%, a US$ 89,70 por barril, enquanto o WTI ganhou 1,58%, a US$ 83,53. A alta refletiu o aumento das tensões no Oriente Médio e a redução das chances de um acordo de curto prazo entre Estados Unidos e Irã, cenário que elevou as preocupações com a oferta da commodity.

Wall Street impulsiona empresas ligadas à tecnologia

O apetite por risco também veio do exterior, especialmente após os resultados da Nvidia reforçarem o otimismo com investimentos em inteligência artificial. A empresa registrou receita de US$ 96,2 bilhões no segundo trimestre e projetou crescimento de 70% no próximo ano fiscal.

Em Nova York, o Nasdaq subiu 1,57%, o S&P 500 avançou 0,72% e o Dow Jones ganhou 0,20%. Na B3, Totvs (TOTS3), empresa ligada ao setor de tecnologia, liderou as altas, com avanço de 6,41%. Metalúrgica Gerdau (GOAU4) subiu 5,13% e Gerdau (GGBR4), 4,76%.

Dados brasileiros reforçam expectativa de corte da Selic

Os investidores também avaliaram os indicadores domésticos. O IPCA-15 de agosto registrou deflação de 0,40%, ou seja, queda média dos preços na prévia da inflação oficial. O resultado reforçou as apostas de redução de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro e de continuidade do processo de flexibilização monetária.

Quando a Selic cai, o crédito tende a ficar mais barato, embora o repasse para empréstimos e financiamentos não seja imediato. Ao mesmo tempo, aplicações de renda fixa atreladas a juros pós-fixados passam a oferecer menor remuneração, enquanto a perspectiva de custo de capital mais baixo pode favorecer ações e empresas mais sensíveis à atividade econômica.

A taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor nível para esse período desde o início da série histórica, em 2012. O dado mostra um mercado de trabalho ainda resistente, mas há sinais de perda de dinamismo na margem devido ao efeito defasado da política monetária restritiva.

Por que o dólar subiu apesar da atuação do BC

O dólar oscilou entre R$ 5,142 e R$ 5,175 antes de fechar a R$ 5,162. A moeda americana acompanhou ajustes nos mercados globais e a alta dos rendimentos dos títulos longos do Tesouro dos Estados Unidos, em meio à expectativa pelo discurso de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, no simpósio de Jackson Hole, nesta sexta-feira (28).

Pela manhã, o Banco Central realizou o chamado “casadão”: vendeu US$ 1 bilhão no mercado à vista e ofereceu 20 mil contratos de swap cambial reverso, equivalentes a outros US$ 1 bilhão. Na prática, a autoridade colocou dólares imediatamente no mercado e assumiu posição equivalente à compra da moeda no futuro, operação voltada a dar liquidez e cujo efeito líquido sobre a cotação tende a ser neutro.

O que observar nos próximos pregões

Para quem investe, a sequência de altas mostra a força momentânea da Bolsa, mas o índice continua sujeito a mudanças no petróleo, nos juros americanos, nos dados brasileiros e no cenário eleitoral. No câmbio, o discurso do Fed será importante para as expectativas sobre os juros dos Estados Unidos e para o fluxo de recursos entre mercados.

Para consumidores e trabalhadores, a combinação de inflação mais fraca e emprego elevado é favorável, mas petróleo e dólar podem pressionar custos adiante. Os próximos sinais do Banco Central sobre a Selic e a reação dos mercados ao Fed devem definir se o movimento positivo dos ativos brasileiros terá continuidade.

Impacto para a sociedade

A inflação negativa no IPCA-15 e a queda do desemprego afetam diretamente o custo de vida e o mercado de trabalho, embora os dados de um único mês não determinem sozinhos a trajetória da economia. Já petróleo mais caro e dólar próximo de R$ 5,16 podem pressionar combustíveis, produtos importados e alguns preços ao consumidor. As expectativas sobre a Selic também influenciam o custo de empréstimos e o rendimento de aplicações de renda fixa.