As taxas curtas dos juros futuros recuaram nesta quinta-feira (27), enquanto os vencimentos longos ficaram praticamente estáveis, em uma sessão de acomodação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O movimento indica que o mercado ajustou marginalmente as apostas para a política monetária brasileira no curto prazo, mas manteve as principais preocupações de prazo mais longo.
DI para 2028 cai, enquanto taxa para 2035 fica parada
A taxa do DI, contrato que reflete a expectativa para os juros entre as instituições financeiras, para janeiro de 2028 terminou em 13,76% ao ano. Houve queda de 7 pontos-base, ou 0,07 ponto percentual, em relação aos 13,83% do ajuste anterior.
Na ponta mais distante da curva, o DI para janeiro de 2035 encerrou a 14,45% ao ano, ante 14,444% na sessão anterior. A variação foi praticamente nula. Essa diferença entre os vencimentos mostra um ajuste concentrado nas expectativas para os próximos meses, sem uma reprecificação relevante das condições fiscais, inflacionárias e econômicas de longo prazo.
Desemprego baixo e superávit não alteraram a curva
Os investidores acompanharam indicadores importantes no Brasil, mas nenhum deles foi suficiente para provocar uma mudança decisiva nos juros futuros. A taxa de desemprego ficou em 5,3% nos três meses até julho, o menor resultado para o período desde o início da série, em 2012. O número veio em linha com a previsão dos economistas.
Também foi divulgado um superávit primário de R$ 10,783 bilhões para o governo central em julho, praticamente alinhado à estimativa de R$ 10,679 bilhões. Em julho de 2025, havia sido registrado déficit de R$ 59,070 bilhões. A comparação, porém, é influenciada pelo calendário: os pagamentos de precatórios foram antecipados para março neste ano, enquanto ocorreram principalmente em julho do ano passado.
Mercado mantém aposta em corte da Selic em setembro
Parte dos agentes continuou trabalhando com a possibilidade de um corte de 25 pontos-base na Selic em setembro. A taxa básica está atualmente em 14% ao ano. A leitura é que os dados recentes permitem algum alívio nos juros, principalmente nos contratos mais próximos, sem eliminar a cautela com a trajetória das contas públicas e com a inflação.
O movimento de baixa na ponta curta ganhou força depois do leilão semanal de títulos prefixados do Tesouro. Foram vendidas 23 milhões de Letras do Tesouro Nacional e 8 milhões de Notas do Tesouro Nacional Série F, acima dos 18 milhões e 3,65 milhões, respectivamente, da semana anterior. A oferta de títulos ajuda a formar preços e taxas no mercado, mas não determinou uma alta relevante dos vencimentos longos.
Treasury de dez anos sobe apenas um ponto-base
No exterior, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caíram em 4 mil na semana passada, para 203 mil, abaixo dos 208 mil esperados. O dado sinaliza resistência do mercado de trabalho americano, mas não provocou forte ajuste nos rendimentos dos títulos públicos.
O rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, subia 1 ponto-base, a 4,676%, às 16h34. A estabilidade relativa dos títulos americanos reduziu uma fonte de pressão sobre os juros brasileiros. Os investidores também aguardam o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, na conferência de Jackson Hole, nesta sexta-feira.
O que o movimento sinaliza para os próximos dias
Para a renda fixa, a queda dos juros futuros curtos tende a reduzir as taxas oferecidas em novos títulos e contratos ligados às expectativas para a Selic, embora o efeito dependa do produto e do prazo. Para o crédito, uma eventual redução da taxa básica diminui gradualmente o custo de captação dos bancos, mas não produz repasse automático nem imediato para todos os empréstimos.
O próximo passo será observar a comunicação do Banco Central e os dados de inflação, atividade e contas públicas. Enquanto isso, a curva permanece dividida: os contratos curtos incorporam algum espaço para corte da Selic, e os longos continuam exigindo taxas elevadas diante das incertezas que permanecem para os próximos anos.
Impacto para a sociedade
A queda dos juros futuros de curto prazo reforça a expectativa de possível redução da Selic, o que pode aliviar o custo de novos empréstimos e financiamentos se esse movimento se confirmar. Para quem trabalha e consome, os dados de emprego e das contas públicas ajudam a definir o espaço para decisões futuras do Banco Central, embora não mudem imediatamente os preços ou a renda das famílias.
