O ouro encerrou o pregão desta quinta-feira (27) em leve alta, revertendo a queda de 0,88% registrada anteriormente, enquanto investidores aguardam novas sinalizações do Federal Reserve (Fed) no simpósio de Jackson Hole. Na Comex, o contrato para dezembro subiu 0,23%, a US$ 4.653,30 por onça-troy, em um movimento de recuperação ainda moderado.
Prata sobe mais de 2% no mesmo pregão
O desempenho positivo foi mais forte entre outros metais preciosos. A prata para dezembro avançou 2,06%, a US$ 70,239 por onça-troy na Comex. A alta ocorreu em um ambiente de cautela, no qual os investidores tentam avaliar se os próximos passos do Fed favorecerão ou dificultarão a valorização dos metais.
O simpósio de Jackson Hole reúne autoridades e economistas para discutir a política econômica dos Estados Unidos. Declarações feitas durante o evento podem alterar as expectativas para os juros americanos e, por consequência, influenciar o dólar, os títulos públicos e ativos negociados globalmente.
Juros americanos dividem as expectativas do mercado
O principal fator de pressão sobre o ouro continua sendo a possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos. Como o metal não paga juros ou dividendos, ele tende a perder atratividade quando investimentos de renda fixa em dólar oferecem retornos maiores. Além disso, taxas elevadas costumam fortalecer a moeda americana, tornando o ouro mais caro para compradores de outros países.
Por outro lado, os receios relacionados ao endividamento dos Estados Unidos mantêm a procura pelo metal. O ouro é usado como proteção patrimonial diante do risco de desvalorização do dólar e de outras moedas, estratégia conhecida como proteção contra a perda de poder de compra da moeda.
Declarações de autoridade do Fed aumentam a cautela
O presidente do Fed de Kansas City, Jeff Schmid, afirmou em Jackson Hole que o nível atual dos juros não estaria restringindo a economia americana, embora a inflação permaneça acima da meta de 2%. Para ele, os juros podem estar estimulando a atividade na parte mais curta da curva, o que indicaria que ainda haveria trabalho a fazer.
Em julho, o banco central americano manteve a taxa dos Fed Funds entre 3,5% e 3,75%. A decisão teve três votos divergentes a favor de uma alta, sinal de que há divisão entre as autoridades sobre a necessidade de apertar ainda mais a política monetária nos próximos meses.
Ouro precisa superar US$ 4.680 para ganhar estabilidade
Na análise técnica da Sucden Financial, o ouro precisa recuperar e sustentar o nível de US$ 4.680 por onça-troy para mostrar maior estabilidade. A onça-troy é a unidade usada internacionalmente para a cotação de metais preciosos e equivale a cerca de 31,1 gramas.
Na direção oposta, uma perda consistente da faixa entre US$ 4.640 e US$ 4.650 poderia abrir espaço para uma correção mais profunda, em direção a US$ 4.620. Esses níveis servem como referências para operadores, mas não determinam sozinhos o comportamento futuro do mercado.
Próximos sinais devem vir do discurso do Fed
O mercado continuará acompanhando as falas das autoridades americanas em Jackson Hole em busca de pistas sobre a trajetória dos juros. A combinação entre inflação ainda elevada, atividade resistente e preocupação com a dívida dos Estados Unidos mantém abertas as duas forças que disputam o preço do ouro: a pressão das taxas maiores e a demanda por proteção.
Para quem investe, a alta de 0,23% representa uma recuperação parcial após a queda anterior, e não uma mudança definitiva de tendência. Para consumidores e empresas, eventuais alterações nos juros americanos podem repercutir indiretamente por meio do dólar e dos preços de ativos globais, mas o efeito dependerá das próximas declarações do Fed e da reação dos mercados.
