O desemprego caiu para 5,3% no trimestre móvel encerrado em julho, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, enquanto o número de pessoas ocupadas atingiu o recorde de 103,3 milhões. O resultado reforça a melhora recente do mercado de trabalho: a taxa recuou 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em abril e 0,3 ponto percentual na comparação com maio a julho de 2025.

Queda do desemprego veio com mais pessoas trabalhando

De acordo com a Pnad Contínua, do IBGE, o contingente de desocupados ficou em 5,8 milhões no trimestre até julho. Houve redução de 503 mil pessoas, ou 8%, ante os 6,3 milhões registrados no trimestre encerrado em abril. Na comparação anual, foram 299 mil desempregados a menos, queda de 4,9%.

Ao mesmo tempo, a população ocupada cresceu em 1 milhão de pessoas, alta de 1% no trimestre, e aumentou 899 mil, ou 0,9%, em um ano. O nível de ocupação, que mostra a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada, subiu de 58,4% para 58,9% no trimestre.

Emprego com carteira também alcança recorde

O setor privado tinha 39,4 milhões de empregados com carteira assinada, sem contar os trabalhadores domésticos. É o maior contingente da série histórica, embora o número tenha permanecido praticamente estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto ao mesmo período de 2025.

Considerando trabalhadores com e sem carteira, o setor privado empregava 53,2 milhões de pessoas, também um recorde. O número de empregados sem carteira subiu para 13,8 milhões, com acréscimo de 477 mil pessoas no trimestre. Já os trabalhadores por conta própria somavam 26,1 milhões, sem variações relevantes.

Informalidade avança levemente, mas fica perto da estabilidade

A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores. O percentual subiu em relação aos 37,2% do trimestre encerrado em abril, mas recuou ante os 37,8% registrados entre maio e julho do ano passado.

Outro sinal de melhora foi a queda do desalento. O número de pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por falta de oportunidades ou desmotivação, caiu para 2,3 milhões. O recuo foi de 248 mil pessoas, ou 9,7%, no trimestre, e de 380 mil, ou 14,1%, em um ano.

Subutilização recua e renda anual cresce

A taxa de subutilização, que reúne pessoas desempregadas, trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e outros indivíduos disponíveis para trabalhar, caiu para 13%. Eram 13,8% no trimestre anterior e 14,1% um ano antes. A população subutilizada somou 14,9 milhões, 819 mil a menos no trimestre e 1,2 milhão a menos em 12 meses.

O rendimento médio real habitual ficou em R$ 3.762 por mês. O valor permaneceu estável na comparação trimestral, mas cresceu 3,3% em relação ao mesmo período de 2025. A massa de rendimentos, soma da renda recebida pelos trabalhadores, chegou a R$ 383,5 bilhões, estável no trimestre e 4,1% maior no ano.

O que o recorde de ocupação sinaliza daqui para frente

Mais emprego tende a ampliar a renda disponível e a capacidade de consumo das famílias, o que pode sustentar a atividade econômica. Para trabalhadores, o dado melhora as chances de contratação; para empresas, um mercado mais aquecido pode aumentar a disputa por mão de obra e pressionar custos salariais, embora a renda média ainda não tenha avançado no trimestre.

Para quem investe, o resultado será acompanhado porque emprego, renda e consumo influenciam as projeções para crescimento e inflação. Um mercado de trabalho forte pode dificultar uma desaceleração rápida dos preços, enquanto a continuidade do avanço da renda real ajuda a economia. Os próximos levantamentos mostrarão se o recorde representa uma tendência persistente ou o efeito temporário do período até julho.

Impacto para a sociedade

O resultado indica um mercado de trabalho mais aquecido, com mais brasileiros ocupados e menos pessoas procurando emprego sem encontrar. Isso pode sustentar o consumo das famílias, embora a informalidade ainda atinja 38,8 milhões de trabalhadores e a renda média tenha ficado estável no trimestre.