O mercado de trabalho para economistas no Brasil ganhou força no último ano, com crescimento de 25% nas admissões formais, mas continua marcado por alta rotatividade e pressão sobre os salários. O cenário mostra uma profissão com oportunidades em bancos, empresas de tecnologia, consultorias, agronegócio e setor público, ao mesmo tempo em que a inteligência artificial muda as tarefas exigidas dos profissionais.

Salário médio supera R$ 9 mil, mas mediana mostra realidade diferente

Dados do Novo Caged compilados a partir de 1.997 profissionais contratados e desligados sob o regime CLT nos últimos 12 meses indicam salário médio de R$ 9.054,78 para uma jornada de 42 horas semanais. A média, porém, é influenciada pelos rendimentos mais altos no topo da carreira.

A mediana, que divide os profissionais em duas metades e representa melhor o padrão da categoria, ficou em R$ 6.471. O piso registrado foi de R$ 5.102,61, enquanto o teto chegou a R$ 16.455,36. Um quarto dos economistas recebeu até R$ 4.060, e outro quarto ganhou acima de R$ 11.240. Para as empresas, o custo total médio, incluindo encargos trabalhistas, alcançou R$ 15.393.

Mais contratações não eliminaram a disputa por vagas

A taxa de rotatividade chegou a 48,4%. Esse indicador mede a movimentação de entradas e saídas no mercado e sugere que o aumento das admissões ocorreu em um ambiente de forte troca de profissionais, competição por posições e mudanças frequentes de emprego.

Além disso, a mediana salarial recuou 2,4% em termos reais no período de 12 meses, já descontada a inflação. Portanto, embora existam mais oportunidades formais, o avanço no número de vagas não se converteu automaticamente em ganho de poder de compra para a maioria dos economistas.

Bancos ainda concentram oportunidades, mas novas áreas avançam

O mercado financeiro permanece entre os principais destinos para recém-formados de universidades competitivas. Em bancos de investimento, economistas participam de análises de fusões, aquisições e ofertas de ações. Em gestoras de recursos, ajudam a avaliar juros, inflação, câmbio e empresas para orientar decisões sobre os ativos administrados.

A demanda, contudo, se espalhou para Big Techs, consultorias estratégicas, organismos internacionais e empresas ligadas à agenda ambiental, social e de governança. Nesses segmentos, o conhecimento econômico é usado para interpretar dados, avaliar impactos regulatórios e medir efeitos sociais e ambientais dos negócios. O agronegócio também amplia a procura por profissionais capazes de analisar cadeias produtivas e mercados de commodities. Concursos e carreiras no setor público continuam como alternativa para quem busca estabilidade.

Perfil dos contratados muda e inteligência artificial redefine funções

A idade média dos economistas contratados subiu de 32,5 para 34,6 anos no período analisado. A participação feminina avançou 7,7 pontos percentuais e chegou a 53,2% das novas contratações, sinalizando mudança na composição das admissões.

Ao mesmo tempo, a inteligência artificial passou a assumir parte de tarefas operacionais em análise de risco, concessão de crédito, detecção de fraudes e conformidade regulatória. O efeito não é apenas a substituição de atividades: a expectativa é que o profissional deixe de concentrar seu trabalho em planilhas e rotinas repetitivas e passe a entregar mais interpretação, comunicação e análise estratégica.

O que o cenário indica para trabalhadores e empresas

O ambiente geral de emprego favorece profissionais com ensino superior. A taxa de desocupação brasileira ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho de 2026; entre pessoas com diploma universitário, foi de 3%, ante 9% entre aquelas que não concluíram o ensino médio.

Para quem trabalha ou pretende ingressar na área, os dados apontam que o diploma continua relevante, mas precisa ser combinado com capacidade de interpretar dados e entender negócios. Para empresas e investidores, a expansão das vagas revela uma disputa por competências econômicas em setores diversos, enquanto a alta rotatividade e a queda real da mediana salarial mostram que a procura por profissionais não elimina os desafios de retenção e valorização. A evolução da adoção de inteligência artificial e do emprego formal deve definir os próximos movimentos da carreira.