O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira (26) praticamente estável, aos 174.586,26 pontos, enquanto o dólar comercial subiu 0,22%, para R$ 5,1518. O resultado interrompeu a força da alta ao longo do pregão, mas garantiu ao índice a sexta sessão consecutiva de valorização, em um dia marcado por sinais distintos sobre a inflação e os juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Ibovespa perde força após superar 176 mil pontos
O índice chegou à máxima de 176.296,49 pontos e à mínima de 174.208,48 pontos. O volume financeiro somou R$ 29,8 bilhões. Depois de subir 1,55% na terça-feira, o mercado acionário brasileiro reduziu os ganhos e terminou com avanço marginal de 0,01%.
O movimento refletiu a cautela dos investidores diante da alta dos juros futuros nos Estados Unidos e da queda das bolsas de Nova York. O Dow Jones recuou 0,21%, o S&P 500 caiu 0,02% e o Nasdaq perdeu 0,08%, enquanto o mercado aguardava o balanço da Nvidia após o fechamento dos pregões americanos.
IPCA-15 reforça expectativa de corte gradual da Selic
No Brasil, o IPCA-15, prévia da inflação oficial, registrou deflação de 0,40% em agosto, depois de alta de 0,06% em julho. Em 12 meses, o índice acumulou alta de 4,24%, abaixo dos 4,52% registrados no mês anterior e também inferior à expectativa de deflação mensal de 0,30%.
O resultado abriu espaço para a leitura de que o Copom pode continuar reduzindo a Selic. Juros menores tendem a baratear o crédito e diminuir a atratividade de aplicações pós-fixadas, o que pode favorecer ações e setores dependentes de financiamento. Ainda assim, a composição do índice exige cautela: a queda foi ajudada por alimentos e pelo bônus de Itaipu nas tarifas de energia, enquanto serviços intensivos em mão de obra continuam pressionando a inflação.
PCE acima do esperado limita o alívio nos ativos
Nos Estados Unidos, o PCE, indicador de inflação preferido do Federal Reserve, subiu 0,2% em julho e avançou 3,7% em 12 meses. A taxa anual repetiu a de junho e ficou acima da projeção de 3,6%, além de permanecer distante da meta de 2% do banco central americano.
A surpresa negativa elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e fortaleceu a percepção de que os juros podem permanecer altos por mais tempo. Esse movimento costuma pressionar bolsas emergentes, porque aumenta a remuneração de ativos considerados mais seguros e reduz o fluxo para mercados como o brasileiro.
Bancos seguram o índice; Vale recua
Entre as ações de maior peso, Bradesco PN subiu 1,25%, enquanto Itaú Unibanco PN avançou 0,03% e Santander Brasil teve alta de 0,13%. Petrobras PN ganhou 0,24%, acompanhando a oscilação do petróleo, mas Petrobras ON caiu 0,11%.
A Vale ON recuou 0,32%, encerrando uma sequência de sete altas. Na mineração e siderurgia, CSN subiu 3,74%, Gerdau avançou 1,92% e Usiminas ganhou 2,30%. Magazine Luiza teve alta de 3,74% e chegou ao quarto pregão seguido de valorização.
O que observar nos próximos pregões
A reação do mercado dependerá da combinação entre inflação doméstica, atividade econômica e juros externos. A segunda estimativa do PIB americano apontou crescimento anualizado de 1,5% no segundo trimestre, sinalizando desaceleração, mas sem eliminar a pressão inflacionária observada no PCE.
Também pesará o cenário fiscal brasileiro: o Plano Anual de Financiamento mostrou que a parcela da dívida pública atrelada à Selic chegou a 53%, maior nível da série histórica. Para quem investe, consome ou trabalha, os próximos passos do Banco Central e do Fed serão relevantes porque podem alterar o custo do crédito, o retorno da renda fixa, o valor do dólar e o ritmo da economia.
Impacto para a sociedade
A inflação influencia o custo de vida e os juros afetam financiamentos, empréstimos e aplicações de renda fixa. Um dólar mais caro pode elevar custos de produtos importados e pressionar preços, embora a alta de 0,22% no dia, isoladamente, tenha efeito limitado. As decisões do Banco Central e do Federal Reserve continuarão importantes para o crédito e para a atividade econômica nos próximos meses.
