A australiana St George Mining e o grupo brasileiro Lima & Pergher planejam investir R$ 2 bilhões em um centro de separação e processamento de terras raras em Uberlândia (MG), com início da operação comercial previsto até 2030. O projeto amplia a etapa industrial ligada à produção mineral e poderá atender tanto o projeto Araxá, da St George, quanto outras mineradoras.

Centro será instalado no complexo da START

O acordo foi formalizado nesta quarta-feira, 26 de agosto, por meio de um protocolo de intenções. A unidade deverá ser construída no complexo industrial da START, divisão química e industrial do Grupo Lima & Pergher, em Uberlândia.

O cronograma ainda depende da realização de estudos de viabilidade técnica e econômica. Esse tipo de análise avalia, entre outros pontos, se a tecnologia, a escala de produção e os custos previstos tornam o empreendimento operacionalmente e financeiramente possível.

Como funcionará o processamento das terras raras

O centro deverá receber carbonatos de terras raras, material que será produzido pelo projeto Araxá, localizado no município mineiro de mesmo nome. A etapa planejada em Uberlândia será responsável por separar e processar os diferentes elementos contidos nesse material.

Na prática, a separação é uma fase mais avançada do que a simples extração do minério. Ela busca transformar uma mistura de elementos em produtos com maior grau de especificação para uso industrial. O projeto também poderá receber material de outras mineradoras, o que abre a possibilidade de utilização compartilhada da estrutura.

Projeto Araxá será a principal fonte prevista

A expectativa inicial é que o centro seja concebido para processar principalmente os carbonatos originados no projeto Araxá, controlado pela St George. A empresa, porém, considera desde já a entrada de matérias-primas de terceiros.

Essa configuração conecta duas etapas da cadeia: a produção do material mineral em Araxá e o processamento químico em Uberlândia. Para a empresa, a proximidade dentro de Minas Gerais permite planejar as operações como parte de uma mesma estrutura produtiva, embora o formato definitivo ainda dependa dos estudos previstos.

Por que a separação é uma etapa relevante

As terras raras são um grupo de elementos minerais que costuma ocorrer misturado no minério extraído. Como cada elemento pode ter propriedades e aplicações diferentes, a separação é necessária para obter materiais adequados às necessidades específicas da indústria.

O investimento anunciado concentra-se justamente nessa transformação. Isso significa que o projeto não se limita à abertura de uma mina: ele prevê a instalação de capacidade industrial para tratar o material e avançar na cadeia de produção. O valor estimado de R$ 2 bilhões representa o desembolso projetado para essa estrutura, e não uma operação já concluída.

O que falta até o início previsto em 2030

O prazo de operação comercial até 2030 é uma previsão condicionada às próximas fases do empreendimento. Antes disso, serão necessários os estudos de viabilidade técnica e econômica, além da definição dos detalhes de engenharia, capacidade e funcionamento da planta.

Para quem acompanha o setor de mineração, os próximos marcos serão a evolução desses estudos e a confirmação de como o centro será abastecido. A participação de outras mineradoras também dependerá de acordos comerciais e da disponibilidade de material compatível com o processamento projetado.