A analista da Empiricus Laís Costa afirmou que a casa prefere títulos prefixados aos papéis atrelados à inflação neste momento, porque identifica um prêmio na curva de juros associado a uma possível nova alta da Selic que, na avaliação dela, não deve se concretizar. Mesmo assim, Costa mantém uma visão positiva para os Tesouro IPCA+, que continuam oferecendo proteção contra a inflação e juros reais próximos de 8%.
Por que os prefixados ganharam preferência
O título prefixado define, no momento da aplicação, uma taxa nominal para o período contratado. A estratégia defendida pela analista parte da avaliação de que as taxas negociadas para o futuro embutem uma alta dos juros a partir do próximo ano, embora a Empiricus espere que a Selic permaneça estável em nível elevado.
Na prática, se o mercado passar a retirar da curva essa expectativa de alta, os preços dos títulos prefixados já emitidos podem se beneficiar. Isso ocorre porque um papel que paga uma taxa fixa se torna relativamente mais atrativo quando as taxas futuras recuam. Essa oscilação é relevante para quem vende o título antes do vencimento; quem mantém o papel até a data final recebe a remuneração contratada, respeitadas as condições do investimento.
O que a curva de juros está sinalizando
A curva de juros reúne as taxas projetadas pelo mercado para diferentes prazos. Segundo Costa, há um “prêmio” principalmente nos vencimentos a partir do ano que vem, porque os preços incorporam a possibilidade de retomada do ciclo de alta da Selic.
A analista considera que a desaceleração da atividade econômica deve ajudar a inflação a continuar convergindo, ainda que o índice permaneça acima da meta de 3% do Banco Central no horizonte relevante. Para ela, a inflação caminha para perto de 4%, cenário que reduziria a necessidade de novos aumentos dos juros.
Por que os títulos IPCA+ continuam atrativos
Apesar da preferência pelos prefixados, a Empiricus não abandonou os títulos indexados ao IPCA. Esses papéis combinam a variação da inflação com uma taxa de juros real, preservando o poder de compra do investidor caso os preços continuem subindo.
Após a divulgação do IPCA-15, as taxas reais do Tesouro IPCA+ oscilaram ao redor de 8%. Na primeira atualização do dia, chegaram a aproximadamente 7,95% e depois voltaram para a casa dos 8%. A inflação mais baixa reduz a correção nominal desses títulos, mas não elimina a proteção oferecida pelo mecanismo de indexação.
O cenário para a Selic e para a renda fixa
A avaliação apresentada é de que os juros devem permanecer “mais altos por mais tempo”, sem que isso necessariamente implique uma nova elevação da Selic. A diferença é importante: a manutenção de juros elevados mantém a renda fixa competitiva e encarece o crédito, enquanto uma alta adicional poderia pressionar ainda mais financiamentos e investimentos.
O principal fator de incerteza apontado é a política fiscal depois das eleições de outubro. Uma sinalização considerada positiva para as contas públicas poderia abrir espaço para cortes de juros; sem essa melhora, a tendência seria de cautela do Banco Central e manutenção de taxas elevadas.
O que observar antes dos próximos movimentos
Para quem investe, a escolha entre prefixados e IPCA+ depende da relação entre inflação, juros futuros, prazo e necessidade de liquidez. A oscilação dos preços antes do vencimento pode ser relevante, mesmo quando a remuneração contratada parece atraente.
Os próximos sinais virão dos dados de inflação, da atividade econômica, das decisões do Banco Central e da trajetória das contas públicas após as eleições. Esses fatores definirão se o prêmio hoje embutido nos prefixados será reduzido ou se a expectativa de juros mais altos continuará pressionando os títulos de renda fixa.
Impacto para a sociedade
A expectativa para a Selic afeta diretamente o custo do crédito, o financiamento e o rendimento de aplicações de renda fixa. Se os juros permanecerem elevados por mais tempo, empréstimos tendem a continuar caros, enquanto a desaceleração da inflação pode aliviar parte da pressão sobre o orçamento das famílias.
