O estoque do Tesouro Direto alcançou R$ 272,3 bilhões em julho, alta de 3,7% sobre os R$ 262,5 bilhões registrados em junho. O programa também avançou 46,6% em 12 meses, ante R$ 185,7 bilhões em julho de 2025, enquanto os títulos ligados à Selic concentraram 51,2% das vendas no mês, sinalizando que a renda fixa pós-fixada continua no centro das decisões dos investidores.

Vendas líquidas acrescentaram R$ 7,37 bilhões ao estoque

O crescimento do estoque foi acompanhado por uma entrada relevante de recursos. As vendas de títulos públicos somaram R$ 11,7 bilhões em julho, enquanto os resgates ficaram em R$ 4,3 bilhões. Desse total, R$ 4 bilhões corresponderam a recompras e R$ 334,5 milhões a vencimentos.

A diferença entre vendas e resgates resultou em vendas líquidas de R$ 7,37 bilhões no mês. O movimento ocorreu em um ambiente de juros ainda elevados no Brasil, cenário que mantém a renda fixa competitiva diante de alternativas mais sujeitas às oscilações do mercado.

Tesouro Selic e Tesouro Reserva lideram as novas aplicações

O Tesouro Selic respondeu sozinho por R$ 4,18 bilhões das vendas de julho, ou 35,8% do total. O título acompanha a variação da taxa básica de juros e, por isso, tende a ser utilizado por investidores que buscam menor oscilação no valor aplicado e liquidez para objetivos de curto prazo.

O Tesouro Reserva, novo papel também indexado à Selic, movimentou R$ 1,79 bilhão, equivalente a 15,3% das vendas. Somados, os dois títulos receberam quase R$ 6 bilhões e levaram os papéis pós-fixados a superar a metade das aplicações, mesmo com o Banco Central já tendo iniciado um ciclo de redução dos juros.

Inflação ainda domina o dinheiro acumulado no programa

A preferência pelas aplicações novas não mudou, por enquanto, a composição do estoque total. Os títulos atrelados à inflação representam 49,9% do patrimônio do Tesouro Direto, o equivalente a R$ 136 bilhões. Esses papéis combinam a variação de um índice de preços com uma taxa fixa e, em geral, são usados para proteger o poder de compra em prazos mais longos.

Os títulos ligados à Selic correspondem a 37,3% do estoque, enquanto os prefixados respondem por 12,7%. A diferença entre a composição do estoque e as vendas recentes indica que os papéis indexados à inflação foram acumulando uma participação maior ao longo do tempo, enquanto os pós-fixados ganharam força nas decisões mais recentes.

Pequenos aportes sustentam a expansão da base

O programa registrou 1,44 milhão de operações de compra em julho. Aplicações de até R$ 5 mil representaram 78,4% das transações, e 55,5% de todas as operações ficaram em até R$ 1 mil. O valor médio por operação foi de R$ 8.076,26.

O número de investidores ativos chegou a 3,81 milhões, alta de 22,9% em 12 meses, com 119 mil novos participantes apenas em julho. O total de cadastrados alcançou 36,1 milhões, crescimento de 9,5% em um ano, após 270,5 mil novos cadastros no mês. Entre eles, 51,9% eram mulheres; na base total, a participação feminina é de 28,3%.

O que os números indicam para os próximos meses

O avanço do Tesouro Direto mostra que os juros continuam sendo um fator decisivo para a renda fixa, mesmo durante a redução gradual da Selic. Uma queda da taxa básica tende a diminuir o retorno de títulos pós-fixados, mas também pode reduzir o custo do crédito e alterar a atratividade relativa de investimentos prefixados, atrelados à inflação, ações e outros ativos.

Para quem investe, o próximo passo é acompanhar a trajetória dos juros e o prazo de cada objetivo, sem confundir a liderança nas vendas com a composição do estoque total. Para quem consome ou trabalha, a mesma dinâmica pode aparecer no custo de financiamentos, no acesso ao crédito e no ritmo de atividade econômica, embora esses efeitos ocorram de forma gradual.

Impacto para a sociedade

A preferência por títulos ligados à Selic mostra que os juros ainda influenciam diretamente as decisões de milhões de brasileiros, tanto na busca por rendimento quanto no custo de empréstimos e financiamentos. Quando a taxa básica permanece elevada, aplicações pós-fixadas tendem a oferecer maior retorno, mas o crédito também fica mais caro para famílias e empresas.