O campo de Búzios, no pré-sal, atingiu em julho uma exportação média recorde de gás natural de 10,8 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), superando pela primeira vez a marca de 10 milhões de m³/d. O volume é mais que o dobro dos 4,7 milhões de m³/d registrados em julho de 2024 e mostra como a Petrobras (PETR4) ampliou a capacidade das plataformas existentes sem instalar novos sistemas de produção.
Exportação de Búzios cresceu quase 130% em dois anos
Na comparação com julho de 2024, quando a média diária era de 4,7 milhões de m³, o avanço foi de aproximadamente 130%. Em termos absolutos, Búzios passou a exportar 6,1 milhões de m³/d a mais. O recorde mensal anterior havia sido registrado em março de 2026, com 9,1 milhões de m³/d, 1,7 milhão de m³/d abaixo do resultado de julho.
O campo também estabeleceu um novo recorde diário. Em 6 de agosto, a exportação chegou a 14,1 milhões de m³/d, acima do pico anterior de 13,9 milhões de m³/d, alcançado em julho. A diferença entre os dois recordes diários foi de cerca de 1,4%, mas reforça a capacidade de Búzios de operar em patamares mais elevados.
Como a Petrobras aumentou a capacidade sem novas plataformas
O principal mecanismo foi a combinação da entrada em operação da Rota 3 com projetos de otimização das unidades que já produzem no campo. A Rota 3 é um sistema de escoamento e processamento de gás do pré-sal, permitindo que uma parcela maior do produto seja tratada e enviada para exportação.
Outro projeto envolve a modernização das plantas de tratamento de gás das plataformas P-74, P-75, P-76 e P-77. As unidades estão recebendo novas membranas de remoção de dióxido de carbono (CO2), tecnologia que reduz a concentração do gás contaminante e aumenta o volume de gás dentro das especificações para ser exportado.
Plantas das plataformas podem dobrar capacidade de gás
O projeto, iniciado em 2025 e em fase final de implantação, elevou a capacidade de exportação dessas quatro plataformas de aproximadamente 1,5 milhão para 3 milhões de m³/d por unidade. Isso representa uma duplicação do potencial individual, com possibilidade de novos ganhos após a conclusão dos ajustes operacionais.
O FPSO Almirante Barroso, unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência, também contribuiu para o recorde de julho. O resultado, portanto, veio principalmente do melhor aproveitamento da infraestrutura instalada e do aumento da eficiência no tratamento e no escoamento do gás.
Próximas plataformas devem ampliar o escoamento
A Petrobras prevê a entrada em operação de sistemas de exportação de gás nas plataformas P-78 e P-79 até 2027. A expansão faz parte do plano de desenvolvimento do campo, que prevê 12 plataformas ao fim do projeto. Dessas unidades, oito deverão ter capacidade de exportar gás natural.
Entre os projetos futuros está a unidade Búzios 12, com início de operação previsto para 2032 e capacidade estimada de exportação de 5,5 milhões de m³/d. A expansão gradual tende a aumentar a participação do campo no fornecimento de gás ao mercado, embora o material não detalhe como os volumes adicionais serão distribuídos entre exportação, consumo interno e demais destinos.
O que o recorde representa para a Petrobras
Para a companhia, o avanço indica crescimento de produção comercializável sem depender exclusivamente da instalação imediata de novos sistemas. A modernização das plantas permite extrair mais valor das plataformas em operação, ao mesmo tempo em que os novos projetos criam capacidade adicional para os próximos anos.
Para quem acompanha as ações da Petrobras, o dado é relevante por mostrar evolução operacional em Búzios, um dos principais ativos do pré-sal. O próximo passo será observar a consolidação dos ganhos das P-74 a P-77 e a entrada das P-78 e P-79, que poderão alterar novamente o patamar de exportação do campo.
