Os índices de Wall Street operam em queda nesta quarta-feira (26), após dados de inflação dos Estados Unidos acima do previsto e enquanto investidores aguardam o balanço da Nvidia, previsto para depois do fechamento. O movimento reflete a cautela com os próximos passos do Federal Reserve (Fed), em um pregão no qual os resultados da gigante de chips podem definir o humor do mercado de tecnologia.
Índices operam perto da estabilidade em Nova York
Por volta das 11h30, no horário de Brasília, o Dow Jones recuava 0,22%, aos 53.461,74 pontos. O S&P 500 caía 0,12%, aos 7.668,64 pontos, enquanto o Nasdaq, mais concentrado em empresas de tecnologia, registrava baixa de 0,43%, aos 29.041,357 pontos.
A queda é moderada, mas mostra a resistência dos investidores em ampliar posições antes de dois eventos relevantes: a divulgação de novos indicadores econômicos e o resultado da Nvidia, uma das principais referências para medir a força dos investimentos em inteligência artificial.
PCE anual fica acima da previsão dos economistas
O índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), medida de inflação acompanhada de perto pelo Fed, subiu 0,2% em julho. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 3,7%, acima da previsão de 3,6% feita por economistas consultados pela Reuters e distante da meta de 2% do banco central americano.
O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia por apresentarem maior volatilidade, também avançou 0,2% no mês. Em 12 meses, a alta do núcleo ficou em 3,3%. Uma inflação mais persistente pode levar o Fed a manter os juros elevados por mais tempo, encarecendo o crédito e reduzindo o valor presente dos lucros esperados pelas empresas — um fator que costuma pressionar ações, especialmente as de tecnologia.
Mercado ainda vê juros estáveis em setembro
Apesar da inflação anual acima da estimativa, o dado mensal veio sem surpresa relevante. Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o resultado não deve alterar a leitura predominante do mercado: manutenção dos juros na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) em setembro, com uma eventual alta ficando para outubro ou dezembro.
A expectativa de juros altos influencia bolsas, títulos e moedas porque aumenta a atratividade de investimentos de renda fixa em dólar e eleva o custo de financiamento das empresas. Por isso, os investidores acompanham também os próximos dados de inflação e emprego, além do discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole, na sexta-feira (28).
Nvidia concentra as atenções do setor de tecnologia
A Nvidia divulgará seu balanço trimestral após o encerramento do pregão. O mercado acompanha principalmente o desempenho da companhia no fornecimento de chips usados em sistemas de inteligência artificial e os sinais sobre a continuidade desse ciclo de investimentos.
Como a empresa tem grande influência sobre o setor de tecnologia, uma reação forte às suas projeções pode alterar o comportamento do Nasdaq e de outras ações ligadas à inteligência artificial. O resultado também será avaliado em conjunto com o cenário de juros: empresas de crescimento tendem a ser mais sensíveis à mudança no custo do dinheiro.
Meta e tensões no Oriente Médio também estão no radar
No cenário corporativo, a Meta concordou em pagar até US$ 16,68 bilhões para encerrar um processo relacionado a alegações de vício em redes sociais. O acordo envolve 47 estados americanos, o Distrito de Columbia e territórios dos Estados Unidos, além de prever mudanças nos produtos da empresa para ampliar a proteção de crianças.
Os desdobramentos entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio também permanecem no radar, embora o movimento do dia esteja concentrado nos dados de inflação e na Nvidia. Para quem investe, os próximos catalisadores são o balanço da fabricante de chips e a comunicação do Fed em Jackson Hole; para o mercado global, o ponto central continua sendo saber por quanto tempo os juros americanos permanecerão elevados.
