As taxas dos contratos de juros futuros recuaram nesta terça-feira (25), acompanhando a queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasureys, e o tombo do petróleo no exterior. O movimento reduziu o custo de financiamento projetado pelo mercado brasileiro, mesmo com investidores ainda monitorando as novas sanções americanas contra o Irã e os riscos para o transporte de energia no Oriente Médio.
Taxas de curto e longo prazo fecham em baixa
O DI para janeiro de 2028 terminou o dia em 13,80% ao ano, ante 13,883% no ajuste da sessão anterior. A queda foi de 8 pontos-base — cada ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual — e indica uma redução das taxas esperadas para o período.
Na ponta mais longa da curva, o DI para janeiro de 2035 ficou em 14,44%, contra 14,506% na véspera, recuo de 7 pontos-base. A curva de juros reúne as taxas negociadas para diferentes prazos e serve como referência para títulos de renda fixa, empréstimos e avaliações de ativos.
Por que os Treasuries influenciaram o mercado brasileiro
O rendimento do Treasury de dez anos, principal referência global para decisões de investimento, caiu 7 pontos-base, para 4,637%, por volta das 16h40, no horário de Brasília. Quando os juros dos títulos americanos recuam, ativos de outros países podem se tornar relativamente mais atrativos, reduzindo parte da pressão sobre suas taxas.
O movimento ocorreu apesar da ampliação das sanções dos Estados Unidos contra o Irã. Teerã classificou as medidas como ilegais e discutiu com Omã a criação de um corredor temporário de navegação e a retirada de minas do Estreito de Ormuz, rota por onde circulam cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo.
Petróleo abaixo de US$ 90 alivia pressão sobre os juros
O petróleo Brent recuou para menos de US$ 90 por barril, contribuindo para a queda dos rendimentos dos títulos americanos. Um petróleo mais barato reduz o risco de uma aceleração da inflação global e, consequentemente, de uma reação mais dura dos bancos centrais.
Também pesou a perspectiva de que o Tesouro americano amplie a recompra de títulos públicos. O governo já havia anunciado na semana passada que gastaria o dobro do previsto inicialmente nessa operação. Ao recomprar papéis, o Tesouro diminui a oferta disponível no mercado, o que tende a elevar os preços dos títulos e reduzir seus rendimentos.
Mercado ainda aposta em corte da Selic em setembro
No Brasil, a baixa dos juros globais reforçou uma expectativa que já estava incorporada às negociações: a de um novo corte da Selic, atualmente em 14,00% ao ano, na reunião de setembro do Copom. Na última atualização, feita na sexta-feira (21), as opções negociadas na B3 apontavam 86% de probabilidade de redução de 0,25 ponto percentual e 14,9% de manutenção.
Para novembro, as probabilidades indicavam 42,1% de chance de outro corte de 0,25 ponto e 40,1% de manutenção. A precificação não é uma decisão do Banco Central, mas representa como os participantes do mercado distribuem suas apostas diante dos dados disponíveis.
Dados de inflação e atividade serão o próximo teste
O mercado também avaliou a arrecadação federal de julho, que somou R$ 289,346 bilhões, alta real de 8,97% em relação ao mesmo mês de 2025 e recorde para o mês na série iniciada em 1995. O resultado mostra força da arrecadação, mas não elimina a necessidade de acompanhar a trajetória das despesas e das contas públicas.
Na quarta-feira (26), os investidores devem reagir ao IPCA-15 de agosto, prévia oficial da inflação, aos números do PIB e ao índice PCE dos Estados Unidos, referência para o Federal Reserve. Esses indicadores podem alterar as expectativas para a Selic e para os juros americanos. Para quem investe, taxas futuras menores tendem a beneficiar títulos prefixados e atrelados à inflação já negociados, enquanto, para consumidores e empresas, uma eventual continuidade da queda pode baratear o crédito gradualmente — sem garantir redução imediata nas taxas cobradas pelos bancos.
Impacto para a sociedade
A queda dos juros futuros pode reduzir, adiante, o custo de financiamentos e empréstimos caso se confirme uma trajetória de baixa da Selic. Para quem investe, taxas menores tendem a favorecer títulos prefixados e atrelados à inflação já emitidos, além de melhorar as condições para empresas e consumidores. O recuo do petróleo também ajuda a diminuir riscos de pressão sobre combustíveis e inflação, embora o efeito dependa da duração do movimento.
