As ações da SpaceX subiam cerca de 2% nesta terça-feira (25), impulsionadas por uma recomendação de compra do JPMorgan, pela parceria com a Nvidia para desenvolver chips destinados ao espaço e pelas perspectivas de expansão da rede de satélites da empresa. O movimento reforça a aposta dos investidores de que a companhia pode combinar seus negócios espaciais com a crescente demanda por inteligência artificial.

JPMorgan vê potencial no avanço do Grok

Em relatório, o analista Doug Anmuth, do JPMorgan, destacou a velocidade de desenvolvimento do Grok, modelo de linguagem da empresa de Elon Musk que concorre com Claude, Gemini e ChatGPT. O Grok 4.6, lançado no início de agosto, teria avançado cinco pontos em um índice independente que avalia a capacidade de sistemas de inteligência artificial, ficando atrás de dois modelos da Anthropic no ranking citado pelo banco.

O próximo avanço esperado é o Grok 5, previsto para dezembro. Para o analista, uma evolução relevante em escala e capacidade pode ampliar a monetização do sistema, principalmente no mercado corporativo. No curto prazo, a receita ligada à inteligência artificial deve ser sustentada sobretudo por contratos de computação de maior valor, mas o banco espera que o uso empresarial do Grok se torne uma fonte cada vez mais importante de crescimento.

Com base nessa perspectiva, o JPMorgan classificou as ações da SpaceX como “compra” e estabeleceu preço-alvo de US$ 240 por ação. A recomendação ajudou a sustentar a alta dos papéis durante o pregão em Nova York.

Nvidia prepara chips para operar em órbita

Outro catalisador foi a parceria com a Nvidia. Musk compartilhou uma publicação da fabricante de chips sobre a linha Vera Rubin, sua unidade de processamento gráfico mais recente para aplicações de inteligência artificial, e afirmou que a SpaceX ajudou a projetar uma versão otimizada para o ambiente espacial.

A ideia é levar esses chips para a órbita em 2027, com ampliação significativa da escala em 2028. As GPUs são usadas para processar os cálculos necessários ao treinamento e à operação de modelos de IA. Em termos práticos, maior capacidade de processamento pode permitir que os sistemas produzam mais respostas em menos tempo e com menor custo.

Data centers espaciais ainda dependem da Starship

Os investidores, porém, parecem aguardar avanços mais concretos, como melhorias adicionais no Grok e o lançamento de data centers de inteligência artificial em órbita. Esses projetos ainda estão a meses de distância e dependem do desenvolvimento da Starship, o foguete totalmente reutilizável da SpaceX.

O 14º teste da Starship deve ocorrer em setembro. O foguete será necessário para transportar satélites equipados com chips de IA, incluindo a versão espacial do Vera Rubin. A estratégia combina a infraestrutura de lançamentos da SpaceX com a computação de alto desempenho da Nvidia, mas ainda envolve riscos tecnológicos e operacionais.

Nova base amplia a estrutura de lançamentos

A SpaceX anunciou nesta terça-feira a construção de uma base na Louisiana voltada à Starship. A instalação se soma à capacidade já existente da empresa, que atualmente coloca mais equipamentos em órbita por ano do que qualquer outra companhia.

A empresa também comunicou, no fim de semana, o lançamento bem-sucedido de mais 29 satélites por meio de um foguete Falcon 9 somente em agosto. O desempenho ajuda a sustentar as expectativas para a expansão da rede de satélites, embora o mercado ainda dependa de resultados concretos para validar a avaliação projetada pelo JPMorgan.

O que observar depois da alta das ações

Para quem acompanha o mercado, a alta de 2% representa uma reação imediata a novas expectativas, e não a uma mudança já comprovada nos resultados financeiros da companhia. Os próximos marcos serão o teste da Starship, a evolução do Grok 5 e o cronograma para colocar os chips Vera Rubin em órbita.

A combinação entre foguetes reutilizáveis, satélites e inteligência artificial pode abrir novas fontes de receita para a SpaceX. Ao mesmo tempo, atrasos nos lançamentos ou dificuldades para operar computadores em órbita podem reduzir o entusiasmo dos investidores. Por isso, a evolução dos projetos deve continuar sendo o principal fator para o comportamento das ações.