As bolsas de Wall Street operam em alta nesta terça-feira (25), apoiadas principalmente pelas ações de tecnologia e pelo alívio nos preços do petróleo. Por volta das 11h30, no horário de Brasília, o S&P 500 subia 0,07%, aos 7.663,70 pontos; o Dow Jones avançava 0,04%, aos 53.475,50 pontos; e o Nasdaq, mais concentrado em empresas de tecnologia, ganhava 0,31%, aos 29.142,90 pontos.
Tecnologia sustenta o avanço dos principais índices
O Nasdaq liderava os ganhos enquanto investidores aguardavam o balanço da Nvidia, fabricante de chips voltados principalmente para inteligência artificial. O resultado está previsto para esta quarta-feira (26), após o fechamento do mercado americano, e pode influenciar não apenas as ações da companhia, mas também a avaliação dos investidores sobre o ritmo de expansão do setor.
A expectativa em torno da Nvidia ajuda a explicar a preferência momentânea por papéis de tecnologia, embora o movimento geral seja moderado. Em um ambiente de cautela, os investidores equilibram o potencial de crescimento dessas empresas com dúvidas sobre a economia americana e sobre os próximos passos do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
Petróleo mais barato reduz pressão sobre inflação
O recuo dos preços do petróleo também contribui para o tom positivo. A commodity é um insumo importante para combustíveis, transporte e produção industrial. Quando seu preço diminui, há menor pressão direta sobre custos de empresas e, em determinadas condições, sobre a inflação, o que pode aliviar as preocupações com juros elevados.
Esse efeito, porém, depende da duração do movimento e de sua intensidade. O mercado continua monitorando o conflito entre Estados Unidos e Irã, especialmente relatos de que Washington teria proposto, por meio do Paquistão, suspender o bloqueio e as sanções contra Teerã em troca da abertura do Estreito de Ormuz e do fim dos ataques de grupos aliados do governo iraniano. O estreito é uma rota relevante para o transporte internacional de petróleo, o que torna qualquer ameaça à navegação um fator de risco para os preços.
Conflito e sanções mantêm risco geopolítico
Na segunda-feira (24), o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro americano aplicou sanções contra cerca de 50 empresas e 30 indivíduos supostamente ligados ao regime iraniano. A maior parte das companhias atingidas está em Hong Kong, nos Emirados Árabes Unidos e na China continental, enquanto muitos dos indivíduos sancionados são iranianos e chineses.
As medidas aumentam a incerteza sobre comércio, logística e oferta de energia. Por isso, mesmo com a queda do petróleo nesta sessão, os investidores continuam atentos à possibilidade de novas restrições ou de uma escalada militar, que poderia provocar uma reação rápida nos mercados.
Varejo mostra desempenho desigual entre empresas
Entre as quedas, as ações da Dick’s Sporting Goods recuavam cerca de 20% após a empresa divulgar resultados abaixo das expectativas e apontar dificuldades persistentes no mercado de calçados esportivos. O movimento mostra como problemas específicos de uma companhia podem pressionar seus papéis mesmo quando os principais índices permanecem no campo positivo.
Na direção oposta, a Lego registrou receita recorde no primeiro semestre, com vendas fortes tanto nas linhas premium quanto nos produtos mais acessíveis. O desempenho sugere uma resistência seletiva do consumo, mas não elimina as preocupações gerais sobre o comportamento das famílias e a capacidade de repasse de preços.
Dados econômicos e discurso do Fed estão no radar
A agenda da semana inclui uma série de indicadores de inflação e emprego nos Estados Unidos. Esses dados ajudam a definir a percepção sobre a necessidade de manutenção, redução ou eventual elevação dos juros americanos. Taxas mais altas tendem a encarecer o crédito e reduzir a atratividade relativa das ações; já uma perspectiva de juros menores costuma favorecer ativos de maior risco.
O mercado também aguarda o discurso de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, no simpósio de Jackson Hole, na sexta-feira (28). Até lá, a tendência é de oscilações moderadas, com os investidores avaliando os resultados da Nvidia, a trajetória do petróleo, os riscos no Oriente Médio e os sinais sobre a política monetária americana.
