Os rendimentos dos Treasuries caíram nesta segunda-feira após a informação de que o Tesouro dos Estados Unidos pode usar a Conta Geral do Tesouro, que reúne cerca de US$ 1 trilhão, para financiar seu programa de recompra de títulos. A possibilidade reduziu a pressão sobre os papéis de prazo mais longo e alterou a percepção dos investidores antes do discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, em Jackson Hole.
Como o uso da Conta Geral pode afetar os títulos
A Conta Geral do Tesouro funciona como o caixa do governo americano. A utilização de parte desses recursos para recomprar títulos poderia ampliar a demanda por papéis já emitidos, especialmente os de vencimento mais longo. Quando a procura por um título aumenta, seu preço tende a subir e o rendimento oferecido ao investidor cai.
Os funcionários do Tesouro citados na informação não indicaram quanto da conta poderia ser usado. Ainda assim, a possibilidade foi suficiente para aliviar parte da pressão no mercado, porque sinaliza uma fonte adicional de recursos para executar as recompras sem depender exclusivamente de novas operações de financiamento.
Rendimentos recuam após pressão no longo prazo
O rendimento da Treasury de dez anos caiu mais de 3 pontos-base, para 4,70%. Um ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual. Já a taxa do título de 30 anos recuou mais de 4 pontos-base, para 5,228%, depois de ter alcançado na semana passada o maior nível desde 2007.
O movimento é relevante porque os títulos longos influenciam o custo de financiamento do governo, das empresas e de vários empréstimos privados nos Estados Unidos. A queda das taxas também pode reduzir a pressão sobre ativos de risco, embora não elimine as preocupações com inflação persistente e com o crescimento da dívida americana, que se aproxima de US$ 40 trilhões.
Recompras tentam aliviar a parte mais longa da curva
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, havia anunciado um programa ampliado de recompra de títulos para diminuir a pressão sobre a ponta longa da curva de juros — a representação das taxas cobradas para diferentes prazos de vencimento.
As taxas chegaram a cair após o anúncio inicial, mas depois voltaram a subir. A possibilidade de usar diretamente o caixa do Tesouro acrescenta uma alternativa operacional ao programa e ajuda a explicar por que o mercado reagiu novamente com queda dos rendimentos nesta segunda-feira.
Discurso do Fed ganha importância para o mercado
Investidores agora aguardam o discurso de Warsh na sexta-feira, durante o simpósio anual de Jackson Hole. A fala será acompanhada em busca de sinais sobre a trajetória dos juros americanos e sobre como o Federal Reserve avalia a inflação e as condições financeiras.
A expectativa é reforçada pela divulgação, nesta semana, de novos indicadores. Entre eles estão o índice de preços de gastos de consumo pessoal, o PCE núcleo de julho, que é a medida de inflação preferida do Fed, e a segunda estimativa do Produto Interno Bruto do segundo trimestre.
O que observar nos próximos dias
Para quem investe, a queda dos rendimentos dos Treasuries reduz temporariamente a pressão sobre ativos globais, mas o efeito pode mudar conforme surgirem detalhes sobre o volume das recompras e sobre a estratégia de financiamento do governo americano. Como preços e rendimentos dos títulos se movem em direções opostas, novas compras do Tesouro podem sustentar os preços, enquanto dados fortes de inflação podem produzir o efeito contrário.
O mercado também observará o comportamento do dólar. A combinação de juros elevados, dívida crescente e dúvidas sobre o financiamento americano já é tratada como um fator de instabilidade. O próximo discurso de Warsh e os indicadores de inflação e crescimento devem definir se o alívio desta segunda-feira será duradouro ou apenas uma reação de curto prazo.
