Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (24) uma nova etapa da “ofensiva econômica” contra o Irã, com ampliação das sanções secundárias a empresas e países que mantêm relações comerciais com Teerã. A medida mira redes financeiras e setores usados para gerar receitas, elevando o risco de exclusão do sistema baseado no dólar para instituições que continuarem negociando com o regime iraniano.

Sanções alcançam cinco setores e quase 60 alvos

Em entrevista coletiva, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, classificou o anúncio como um “Dia D econômico”. Segundo ele, o objetivo é cortar as conexões financeiras do Irã em todo o mundo e eliminar as fontes de receita que sustentam o governo de Teerã.

O Tesouro informou ter emitido determinações contra cinco setores: ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo. Também aplicou sanções a quase 60 entidades, pessoas e embarcações. A estratégia inclui mapear intermediários, redes de empresas e canais usados para contrabandear petróleo e contornar as restrições já existentes.

Como funcionam as sanções secundárias

As medidas não atingem apenas empresas iranianas. As sanções secundárias permitem que Washington puna companhias e instituições de outros países que mantenham negócios relevantes com o Irã. Na prática, essas empresas podem ter dificuldade para acessar bancos, pagamentos e operações em dólar, moeda central no comércio internacional.

Esse mecanismo aumenta o alcance das decisões americanas porque cria um dilema para empresas estrangeiras: continuar negociando com o Irã e correr o risco de perder acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos, ou interromper relações comerciais para preservar seus negócios globais.

China segue no centro da pressão sobre o petróleo

A China é há vários anos a principal compradora do petróleo iraniano. Washington intensificou os esforços para impedir essas transações, mas ainda não designou os maiores bancos chineses que possam estar facilitando o comércio da commodity.

A ausência de sanções contra essas grandes instituições indica que a nova etapa aumenta a pressão sobre a cadeia de intermediários, transportadoras e facilitadores, mas ainda deixa aberta uma frente de risco diplomático e financeiro entre Estados Unidos e China.

Estreito de Ormuz mantém energia sob pressão

A ofensiva ocorre quando a guerra entre Estados Unidos e Irã se aproxima de seis meses. Embora os combates intensos tenham diminuído, as negociações para encerrar o conflito estão paralisadas e o transporte de petróleo e matérias-primas pelo Estreito de Ormuz continua bloqueado.

O estreito é uma rota estratégica para o comércio internacional de energia. Com menos segurança e maior dificuldade de transporte, compradores e empresas podem exigir preços mais altos para assumir o risco de receber petróleo e outros insumos. Esse movimento ajuda a explicar a manutenção dos preços de energia em níveis elevados no mercado global.

O que observar no mercado e para a economia real

As novas restrições podem reduzir a capacidade do Irã de vender petróleo e movimentar recursos, mas o país já criou empresas de fachada, novas entidades e registros de embarcações para driblar sanções anteriores. A efetividade da medida dependerá da capacidade dos Estados Unidos de identificar e bloquear esses canais.

Para investidores, os principais pontos de atenção são a evolução do bloqueio no Estreito de Ormuz, os preços internacionais do petróleo e a eventual inclusão de grandes bancos chineses na lista de alvos. Para consumidores e empresas, energia mais cara tende a elevar fretes, custos de produção e preços de bens, enquanto a continuidade do conflito mantém a incerteza sobre inflação e atividade econômica. Trump afirma que os custos são necessários para impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear.

Impacto para a sociedade

A ofensiva pode manter os preços de energia elevados porque o transporte de petróleo e matérias-primas pelo Estreito de Ormuz continua bloqueado. Para o brasileiro, isso pode encarecer combustíveis e pressionar a inflação, além de aumentar os custos de transporte e de produtos que dependem de energia.