Os lançamentos de imóveis residenciais caíram 1,3% no segundo trimestre de 2026, para 107,2 mil unidades, enquanto as vendas subiram 5,3%, para 113,6 mil unidades, na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado mostra que a procura continuou firme mesmo com os juros elevados, mas as incorporadoras reduziram o ritmo de novos projetos.

Vendas avançam, enquanto lançamentos recuam no semestre

Os dados foram levantados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, em 221 cidades e apenas no segmento residencial. No acumulado do primeiro semestre, os lançamentos somaram 211,6 mil unidades, baixa de 0,3% em relação aos seis primeiros meses de 2025.

As vendas, por outro lado, alcançaram 226,5 mil unidades no primeiro semestre, expansão de 5,4% na mesma comparação. A diferença entre novos projetos e unidades comercializadas indica que as empresas estão mais cautelosas para colocar imóveis no mercado, enquanto parte dos compradores ainda encontra condições para fechar negócio.

Juros altos reduzem o ritmo de novos projetos

O economista-chefe do Secovi-SP e conselheiro da CBIC, Celso Petrucci, afirmou que a redução dos lançamentos reflete o peso dos juros altos sobre a atividade. Taxas elevadas encarecem o financiamento para as famílias e aumentam o custo de captação das incorporadoras, tornando mais difícil aprovar e iniciar empreendimentos.

Ao mesmo tempo, Petrucci avaliou que o avanço das vendas demonstra a resiliência do mercado imobiliário. A demanda segue sustentada, em parte, por imóveis destinados ao Minha Casa Minha Vida (MCMV), que têm valores mais baixos e atendem uma parcela maior dos compradores.

Estoque cresce, mas ainda é considerado equilibrado

O estoque de imóveis residenciais novos — unidades na planta, em construção ou recém-entregues — chegou a 335,3 mil unidades no fim de junho, alta de 8,2% em 12 meses. Considerando a velocidade atual das vendas, esse volume seria suficiente para atender a demanda por 9,5 meses.

Para a CBIC, a oferta final permanece equilibrada em relação à média de vendas dos últimos trimestres. Na prática, isso significa que o aumento do estoque ainda não foi interpretado como excesso generalizado de imóveis, embora a combinação de vendas menores em valor e juros altos exija atenção das empresas.

MCMV reduz o valor movimentado pelo mercado

Apesar do crescimento em unidades, o mercado movimentou menos dinheiro. O valor geral de vendas (VGV) dos empreendimentos lançados no segundo trimestre foi estimado em R$ 62,4 bilhões, queda de 23,6% ante um ano antes. As vendas somaram R$ 66,2 bilhões, recuo de 5,5% na mesma comparação.

A explicação está na maior participação do MCMV no conjunto de lançamentos e vendas. Como as unidades do programa têm preço médio menor, o número de imóveis cresce sem que o valor financeiro avance na mesma proporção. O preço médio dos lançamentos caiu de R$ 751,9 mil no segundo trimestre de 2025 para R$ 581,9 mil no mesmo período de 2026.

O que os números indicam para compradores e empresas

Para quem procura um imóvel, o aumento das vendas mostra que ainda há demanda e oferta disponível, mas o custo do crédito continua sendo um fator decisivo para o orçamento. A maior presença de unidades do MCMV também altera o perfil do mercado, concentrando parte do movimento em imóveis de menor preço.

Para as incorporadoras, o cenário combina vendas resistentes com menor disposição para lançar projetos e redução do valor médio dos empreendimentos. Os próximos resultados devem mostrar se a demanda continuará absorvendo o estoque atual e se os juros permitirão uma retomada dos lançamentos no segundo semestre.

Impacto para a sociedade

O desempenho do setor afeta diretamente quem busca comprar a casa própria, porque o volume de lançamentos influencia a oferta de imóveis e as condições de financiamento. A construção civil também é relevante para o emprego, enquanto a maior participação do Minha Casa Minha Vida amplia o acesso a unidades de menor valor, embora os juros ainda pesem nas parcelas.