O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (24) que o Irã “está totalmente em colapso”, horas antes do anúncio de novas sanções econômicas contra o país. A declaração ocorreu no mesmo dia em que o rial iraniano caiu para a mínima recorde de 2,02 milhões de riais por dólar, ampliando a pressão sobre uma economia já afetada por inflação elevada, recessão e quase seis meses de guerra.
Rial atinge mínima recorde antes de novas punições
A cotação de 2,02 milhões de riais por dólar foi registrada na abertura do mercado cambial nesta segunda-feira. A taxa oficial do Banco Central do Irã estava próxima de 1,5 milhão de riais por dólar, mas a cotação de mercado é a referência usada pela maior parte dos iranianos para comprar a moeda americana.
A diferença entre as duas taxas mostra o grau de desorganização do sistema cambial iraniano. Quando a moeda local perde valor, produtos importados e itens que dependem de componentes estrangeiros ficam mais caros. Famílias também tendem a buscar dólares para preservar suas economias, aumentando a procura pela moeda e pressionando ainda mais o rial.
Inflação e guerra aprofundam a crise econômica
O rial já vinha sob pressão antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel iniciados em 28 de fevereiro. O país enfrentava inflação de dois dígitos e crescimento negativo, quadro agravado pela guerra e pelas restrições comerciais.
Desde o início do conflito, o preço do arroz subiu cerca de 60%, enquanto o da carne bovina avançou mais de 150%. O Fundo Monetário Internacional projeta uma contração superior a 5% do Produto Interno Bruto iraniano, indicando uma retração expressiva da atividade econômica.
Sanções podem atingir parceiros comerciais do Irã
O governo Trump prometeu anunciar sanções mais severas nesta segunda-feira, incluindo sanções secundárias. Esse tipo de medida busca punir não apenas empresas e instituições iranianas, mas também governos e companhias de outros países que continuem fazendo negócios com Teerã.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a política de Trump enfraqueceu o rial e elevou a inflação iraniana. Na semana passada, os Emirados Árabes Unidos anunciaram a suspensão de todas as relações comerciais com o Irã. O país era um dos principais parceiros comerciais de Teerã e uma fonte relevante de importações.
Estreito de Ormuz mantém risco para petróleo e comércio
A crise econômica não produziu, até agora, uma mudança política no Irã. O país mantém capacidade de ameaçar navios e restringir o tráfego no Estreito de Ormuz, passagem por onde circulava um quinto do petróleo comercializado no mundo antes da guerra.
O impasse transformou o controle da hidrovia em um dos principais pontos do conflito. O Irã se recusa a reabrir completamente a passagem, a menos que possa cobrar dos navios. Ao mesmo tempo, há relatos de que Irã e Omã negociam uma gestão conjunta do estreito, enquanto o ministro das Relações Exteriores omanense deve visitar Teerã na terça-feira.
O que acompanhar nos próximos dias
Além das novas sanções, o mercado deve monitorar a resposta do governo iraniano. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, disse que uma escalada traria consequências e que o país não está de mãos atadas.
Uma delegação paquistanesa também foi enviada ao Irã para discutir o fim da guerra, depois de Islamabad ter ajudado a intermediar um cessar-fogo de 60 dias em junho. Para investidores e consumidores, os principais sinais serão a evolução do rial, o funcionamento do Estreito de Ormuz e qualquer impacto sobre petróleo, fretes e inflação global.
Impacto para a sociedade
A escalada no Oriente Médio pode afetar o brasileiro se a ameaça ao Estreito de Ormuz reduzir a oferta global de petróleo e elevar preços de combustíveis, transporte e outros produtos. Um choque prolongado também pode pressionar a inflação e influenciar decisões de juros no Brasil, embora o material não indique uma mudança imediata nos preços domésticos.
