As ações da Braskem (BRKM5) ficaram entre as maiores quedas do Ibovespa nesta segunda-feira (24), após a companhia protocolar um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar US$ 10,9 bilhões em dívidas. Por volta das 10h55, os papéis recuavam 3,16%, a R$ 4,91, refletindo a preocupação dos investidores com o endividamento e a necessidade de renegociação com credores.

O que a recuperação extrajudicial muda para a Braskem

A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite à empresa negociar diretamente com seus credores um plano para reorganizar as dívidas. Diferentemente da recuperação judicial, o processo tem escopo mais restrito e não envolve necessariamente todas as obrigações operacionais da companhia.

No caso da Braskem, a proposta é estritamente financeira. A empresa afirmou que os compromissos com fornecedores, clientes e demais partes relacionadas continuam vigentes e sendo cumpridos normalmente. A companhia deverá buscar a adesão de pelo menos 50% mais um dos credores abrangidos pelo plano.

Por que as ações reagiram negativamente

O pedido reduz a incerteza imediata sobre a proteção contra credores, mas também confirma a pressão sobre a estrutura financeira da petroquímica. Uma empresa altamente endividada precisa direcionar parte relevante de sua geração de caixa ao pagamento de juros e principal, limitando recursos para investimentos e aumentando o risco para acionistas e credores.

O Citi avaliou que o anúncio já era esperado, pois a liminar que havia concedido 60 dias de proteção à Braskem expirava nesta segunda-feira. Com o novo processo, a companhia deve contar com mais 90 dias de proteção enquanto negocia o plano definitivo. O banco mantém recomendação de venda e classificação de alto risco para as ações.

Dívida avançou enquanto o setor enfrentava baixa

A crise resulta da combinação entre a forte baixa do ciclo petroquímico, o crescimento da dívida em relação à geração de caixa, os passivos associados ao afundamento de solo em Maceió e problemas de liquidez. Mesmo com melhora operacional no segundo trimestre, esses fatores continuam pressionando o balanço.

Ao fim de junho, a Braskem registrava dívida líquida ajustada de US$ 9,4 bilhões. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda recorrente dos últimos 12 meses, estava em 6,74 vezes. O indicador mostra quantos anos de geração operacional seriam necessários, em termos simplificados, para quitar a dívida, desconsiderando juros, impostos, investimentos e outras despesas.

Plano pode incluir oferta de novas ações

O plano em negociação prevê a possibilidade de uma oferta de ações da petroquímica. Nesse tipo de operação, a companhia capta recursos com a emissão de novos papéis, que podem ser usados para reduzir dívidas ou reforçar o caixa.

Para os acionistas atuais, porém, uma emissão pode provocar diluição: com mais ações em circulação, a participação relativa de cada investidor diminui caso ele não acompanhe a operação. A eventual oferta ainda depende da estrutura final do acordo com os credores.

Petrobras ganhou papel central nas negociações

A Petrobras entrou de forma firme nas negociações com os credores, um movimento considerado relevante para o desfecho da reestruturação. A estatal é acionista da Braskem e vem participando da definição dos rumos da empresa, inclusive com a implementação de uma nova administração.

O próximo passo será a construção do plano final e a busca de adesões suficientes entre bancos e detentores de títulos de dívida. Para quem investe em BRKM5, os principais pontos de atenção são a aprovação do acordo, o tamanho de uma eventual oferta de ações, as condições dadas aos credores e a capacidade de a Braskem recuperar sua geração de caixa.