Uma nova declaração financeira de Donald Trump revelou a venda de ações da Meta e a compra de papéis da Berkshire Hathaway durante junho, em uma reorganização que envolveu 1.051 transações e movimentou entre US$ 78,1 milhões e US$ 263,1 milhões. O documento mostra apenas faixas de valores, mas indica compras superiores a US$ 49 milhões e vendas de pelo menos US$ 28,5 milhões no mês.

Venda de Meta e compra de quatro empresas no mesmo dia

O movimento mais expressivo ocorreu em 18 de junho. Na data, Trump declarou vendas de ações da Meta, controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp, e da Motorola Solutions, com valores individuais entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões.

No mesmo dia, a carteira registrou compras, também entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões em cada posição, de Berkshire Hathaway, Cintas, Visa e Mastercard. A operação indica uma troca parcial de exposição entre empresas e setores, mas a declaração não permite saber se houve uma mudança definitiva na composição da carteira.

Maior venda envolveu fundo de dividendos

A maior operação individual informada em junho foi registrada em 22 de junho, com a venda de uma posição entre US$ 5 milhões e US$ 25 milhões no ETF Vanguard Dividend Appreciation Index Fund. ETFs são fundos negociados em Bolsa que reúnem diferentes ativos em uma única carteira; nesse caso, o produto é voltado a empresas com histórico de crescimento de dividendos.

Na mesma data, Trump declarou compras entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões em ações da Home Depot e da Fidelity National Information Services. Também houve vendas de papéis da Fidelity em outros momentos do mês, mostrando que a movimentação não se limitou a uma simples substituição de ativos.

Carteira também teve títulos, tecnologia e commodities

A declaração registra compras de outros ETFs com exposição a títulos do Tesouro americano, empresas de tecnologia e commodities, além de títulos municipais. Entre as vendas, aparecem posições no Vanguard Short-Term Bond Index Fund ETF, no Consumer Discretionary Select Sector SPDR Fund e no Vanguard FTSE Europe ETF.

Essas operações podem alterar a distribuição de risco da carteira entre ações, renda fixa, setores da economia e mercados internacionais. Ainda assim, como cada negócio é apresentado em faixas e o documento não informa o total mantido em cada ativo, não é possível calcular a participação de cada investimento no patrimônio completo de Trump.

Operações com Palantir, Coinbase e empresas de defesa

A carteira também negociou ações da Palantir Technologies. Houve uma compra entre US$ 1.001 e US$ 15 mil em 3 de junho, seguida por uma venda entre US$ 15.001 e US$ 50 mil no dia 16 e outra entre US$ 500.001 e US$ 1 milhão no dia 18. Uma nova compra, de menor valor, foi registrada em 23 de junho.

Também foram declaradas compras e vendas de Coinbase, plataforma de negociação de criptomoedas. Entre 12 e 23 de junho, as vendas somaram entre US$ 116.003 e US$ 315 mil, enquanto uma compra entre US$ 50.001 e US$ 100 mil ocorreu em 24 de junho. RTX e Northrop Grumman, empresas de defesa, também apareceram entre os ativos negociados.

O que a declaração permite concluir

O volume informado mostra uma carteira bastante ativa, mas não revela necessariamente o patrimônio total ou a estratégia completa de investimento. Como os valores são organizados em intervalos preestabelecidos, o total de US$ 78,1 milhões a US$ 263,1 milhões é uma estimativa baseada nos limites dessas faixas, e não um valor exato.

Os ativos de Trump estão mantidos em um trust, estrutura jurídica que administra bens em nome do beneficiário, sob gestão de seus filhos. Um porta-voz já havia rejeitado a existência de conflitos de interesse relacionados aos investimentos. A declaração, por si só, também não estabelece relação entre as negociações e decisões do governo americano.

Para quem acompanha o mercado, o próximo passo é observar novas declarações, que podem indicar se as operações de junho foram pontuais ou parte de uma mudança mais ampla na carteira. A divulgação ajuda a mapear os ativos negociados, mas não permite replicar a composição ou avaliar o desempenho do portfólio com precisão.