A agenda econômica da semana de 24 a 29 de agosto ganha novos focos além do IPCA-15 e do payroll, já previstos: entram no radar o Simpósio de Jackson Hole, novos dados de emprego e o PIB do México. A combinação de inflação, atividade e mercado de trabalho pode mexer com as expectativas para os juros no Brasil e nos Estados Unidos, influenciando renda fixa, crédito, câmbio e Bolsa.

IPCA-15 será o principal teste para a inflação brasileira

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, será divulgado na quarta-feira (26), às 9h. O indicador ganhou importância depois de o IPCA de julho subir 0,07% no mês e mostrar desaceleração da inflação acumulada em 12 meses.

Uma leitura mais benigna pode reforçar as expectativas de continuidade do ciclo de cortes da Selic pelo Banco Central. Juros básicos menores reduzem o custo de empréstimos e financiamentos, mas também tendem a diminuir a remuneração de aplicações pós-fixadas e podem aumentar o interesse por ativos de maior risco. O efeito depende, ainda, da percepção sobre a inflação futura.

Emprego divide as atenções entre Brasil e Estados Unidos

No Brasil, a PNAD Contínua, com a taxa de desemprego, será divulgada na quinta-feira (27), às 9h. Na sexta-feira (28), às 14h30, será a vez do Novo Caged, que mede a criação líquida de empregos formais. Os números ajudam a mostrar se a atividade continua sustentando a renda e o consumo ou se há sinais de perda de força.

Nos Estados Unidos, o dado de emprego privado da ADP sai na terça-feira (25), às 9h15. Na sexta-feira, às 11h, será divulgado o payroll, relatório mensal de vagas fora do setor agrícola. Um mercado de trabalho muito aquecido pode manter pressões sobre salários e inflação, levando o Federal Reserve a ser mais cauteloso na redução dos juros. Dados fracos podem produzir o efeito contrário, embora também levantem dúvidas sobre o ritmo da economia.

Jackson Hole pode orientar os próximos passos do Fed

O simpósio de Jackson Hole ocorre entre quinta-feira (27) e sábado (29), com programação às 9h na quinta e na sexta e às 9h no sábado, pelo horário indicado na agenda. O encontro reúne autoridades dos principais bancos centrais e costuma concentrar discussões sobre inflação, crescimento e política monetária.

As falas e sinalizações apresentadas no evento podem afetar as projeções para os juros americanos. Como as decisões do Fed influenciam o dólar, os fluxos internacionais de capital e o custo de financiamento global, seus efeitos podem chegar aos mercados emergentes, inclusive ao Brasil.

Indicadores internacionais completam o calendário

Na quarta-feira (26), os Estados Unidos divulgam a segunda leitura do PIB e o índice de preços PCE, acompanhado de perto pelo Fed. Na segunda-feira, também sai o Índice de Atividade Nacional do Fed de Chicago. Na quinta-feira, serão conhecidos os pedidos de seguro-desemprego.

O PIB do México também foi acrescentado à agenda da semana, ampliando o acompanhamento sobre o desempenho das economias latino-americanas. Na Europa, a ata da reunião de política monetária do BCE sai na quinta-feira, enquanto os índices de confiança do consumidor e da indústria da zona do euro serão divulgados na sexta.

O que acompanhar até o fim da semana

No calendário doméstico, o Boletim Focus abre a semana na segunda-feira (24), às 8h25, reunindo as projeções do mercado para inflação, PIB, câmbio e Selic. A confiança do consumidor sai na terça-feira, às 8h. Na sexta, estão previstos o IGP-M, às 8h, e os dados de dívida bruta em relação ao PIB, às 8h30.

Japão e China também entram no radar, embora não haja indicadores chineses de grande impacto previstos. O Japão divulga o IPC de Tóquio e a taxa de desemprego na noite de quinta-feira, além do núcleo do IPC na sexta. Para quem investe, consome ou trabalha, o conjunto de dados será importante porque pode mudar as expectativas para juros e atividade; os próximos sinais decisivos estarão no IPCA-15, nos números de emprego e nas mensagens de Jackson Hole.

Impacto para a sociedade

A semana reúne indicadores que podem influenciar juros, crédito, inflação e emprego. Uma leitura mais fraca ou mais forte dos preços e do mercado de trabalho pode alterar as expectativas para a Selic no Brasil e para os juros nos Estados Unidos, com reflexos sobre financiamentos, investimentos e atividade econômica.