Seis das 11 ações ligadas ao agronegócio acompanhadas pelo mercado subiram mais de 15% na semana encerrada em 21 de agosto, com ganhos de até 24,64%. São Martinho, MBRF, Jalles, SLC Agrícola, Boa Safra e Minerva lideraram o movimento, impulsionadas por fatores que combinaram recuperação de commodities, revisões de bancos e expectativas melhores para algumas operações.

São Martinho lidera com alta de 24,64%

A São Martinho (SMTO3) foi o principal destaque, com valorização de 24,64% na semana. A Jalles (JALL3) veio em seguida, com alta de 20,69%. O movimento das duas empresas ocorreu em meio à recuperação dos preços do açúcar bruto negociado em Nova York.

O contrato do açúcar chegou a 18,26 centavos de dólar por libra-peso durante a semana, maior nível em mais de um ano. A alta refletiu preocupações com a oferta global, associadas às perspectivas climáticas do El Niño e à decisão da Índia de autorizar a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar sem tarifas até 31 de outubro.

Com estoques indianos em níveis historicamente baixos e preços domésticos em alta, aumentou a percepção de que o mercado internacional pode ficar mais apertado. Para as produtoras brasileiras, preços maiores do açúcar podem melhorar a receita esperada, embora isso não elimine os riscos operacionais e financeiros de cada companhia.

Frigoríficos ganham força com revisão de cenário

A MBRF (MBRF3) avançou 21,59% e foi o destaque entre os frigoríficos. Um dos principais catalisadores foi a mudança de recomendação do Bank of America, de neutra para compra, acompanhada da elevação do preço-alvo de R$ 23 para R$ 26. O valor indicava potencial de valorização de 51% em relação à cotação usada pelo banco.

A avaliação considera uma possível recuperação das margens, que representam a parcela da receita que sobra depois dos custos, na operação de carne bovina na América do Norte. Também pesaram a expectativa de redução dos investimentos, melhora na geração de fluxo de caixa livre e consequente desalavancagem, ou seja, redução do peso das dívidas sobre a empresa.

A Minerva (BEEF3) subiu 15,99%, em recuperação após a pressão sofrida desde a divulgação dos resultados do segundo trimestre. Na ocasião, investidores demonstraram preocupação com a geração de caixa e com os riscos para as exportações de carne bovina brasileira à China.

SLC Agrícola e Boa Safra completam os destaques

A SLC Agrícola (SLCE3) acumulou alta de 20,20%, enquanto a Boa Safra (SOJA3) avançou 18,81%. Os papéis acompanharam o movimento positivo do bloco do agronegócio, em uma semana marcada por revisões de recomendações e mudanças nas expectativas para preços e resultados.

As altas, porém, não significam que todas as empresas do setor tiveram o mesmo desempenho. A Raízen (RAIZ4) caiu 7,69%, destoando das demais sucroenergéticas. A companhia continua pressionada pelo endividamento elevado: sua dívida líquida era de R$ 56,87 bilhões no primeiro trimestre da safra 2026/27.

Quais ações ficaram no campo negativo

Além da Raízen, a 3tentos (TTEN3) recuou 0,96% e a JBS (JBSS32) caiu 0,51% na semana. No caso da Raízen, a empresa reduziu o prejuízo líquido para R$ 1,64 bilhão e cortou os investimentos em 32,6% no trimestre, mas esses avanços ainda convivem com a dimensão da dívida.

A Jalles também ilustra como a Bolsa pode reagir às expectativas futuras, e não apenas ao resultado mais recente. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 74,1 milhões no primeiro trimestre da safra 2026/27, mas aumentou a moagem de cana em 10,1%, para 3,13 milhões de toneladas, com produtividade de 89,6 toneladas por hectare.

O que observar depois da arrancada do agro

Para quem acompanha essas ações, o próximo passo é verificar se a melhora dos preços do açúcar e as expectativas para os frigoríficos aparecerão nos resultados e no caixa das empresas. A cotação pode antecipar uma mudança de cenário, mas também pode devolver parte dos ganhos caso a oferta, a demanda ou as condições financeiras evoluam de forma menos favorável.

O movimento da semana reforça a importância de separar os fatores comuns ao setor daqueles específicos de cada companhia. Enquanto a alta do açúcar beneficiou São Martinho e Jalles, o endividamento continuou pesando sobre a Raízen; entre os frigoríficos, a reação dependeu das perspectivas para margens, exportações e geração de caixa.