O Ibovespa devolveu os ganhos registrados ao longo do pregão e fechou próximo da estabilidade nesta quinta-feira (20), com alta de 0,06%, aos 167.927,15 pontos. A valorização de Petrobras e Vale, impulsionada pelo petróleo e pelo minério, limitou o efeito da piora no exterior, da alta dos juros americanos e da pressão sobre os bancos. O dólar avançou 0,32%, a R$ 5,1933.
Petrobras e Vale seguraram o índice
As ações da Petrobras tiveram um dos principais desempenhos positivos do dia. Os papéis preferenciais PETR4 subiram 2,81%, a R$ 44,32, enquanto os ordinários PETR3 ganharam 2,64%, a R$ 49,41. A alta ocorreu em meio à valorização do petróleo Brent, que voltou a buscar a marca de US$ 94 por barril, o maior nível em um mês.
A Vale também ajudou a sustentar o índice, com alta de 2,54%, a R$ 73,96. Juntas, Petrobras, Vale e as instituições financeiras representam cerca de metade da carteira teórica do Ibovespa. Por isso, o avanço das duas empresas teve peso relevante, mas não foi suficiente para produzir uma alta mais consistente.
Juros globais limitaram a alta da Bolsa
O movimento positivo das ações ligadas a commodities foi neutralizado pela retomada da alta dos Treasuries, os títulos do governo americano. O rendimento do papel de dez anos passou de 4,650% para 4,702%, enquanto a taxa do título de 30 anos subiu de 5,195% para 5,249% nesta quinta-feira.
Quando os juros dos Estados Unidos sobem, investimentos considerados mais seguros ficam relativamente mais atrativos e a renda variável tende a perder espaço. Além disso, taxas maiores elevam o custo de financiamento das empresas e reduzem o valor presente dos lucros esperados, pressionando especialmente ações mais sensíveis aos juros.
Conflito entre Estados Unidos e Irã aumentou a cautela
As tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a pesar sobre os mercados depois de o presidente americano, Donald Trump, anunciar uma guerra econômica contra o país. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, também afirmou que novas sanções contra o Irã devem ser detalhadas na segunda-feira (24).
O risco geopolítico elevou os preços do petróleo e reacendeu preocupações com a inflação. Com isso, investidores passaram a considerar a possibilidade de juros americanos mais altos por mais tempo, o que contribuiu para a queda das bolsas de Nova York: o Dow Jones recuou 1,32%, o S&P 500 caiu 0,87% e o Nasdaq perdeu 1%.
Bancos e ações domésticas ficaram sob pressão
O setor financeiro foi um dos principais obstáculos ao Ibovespa. O Índice Financeiro (IFNC) caiu 1,05%, com baixa de 2,24% do Itaú Unibanco, a R$ 37,51. Bradesco e BTG Pactual também acompanharam o movimento negativo, em meio às preocupações relacionadas à crise do Grupo Casas Bahia.
O Bradesco tem exposição de quase R$ 5 bilhões à dívida da varejista, o que ampliou a cautela com os bancos. Na ponta negativa do Ibovespa, Vamos caiu 8,49%, a R$ 2,48, e Hapvida recuou 7,16%, a R$ 6,09, em meio a ruídos regulatórios. Minerva foi o destaque positivo fora das blue chips, com alta de 7%, a R$ 3,82.
Fluxo estrangeiro e dólar ficam no radar
O cenário doméstico continua prejudicado pela saída de capital estrangeiro e pelas incertezas relacionadas às eleições e ao risco fiscal. Dados da B3 indicaram retirada de R$ 1,7 bilhão por investidores estrangeiros na terça-feira (18), levando o saldo negativo de agosto a R$ 20,4 bilhões.
Para quem investe, o fechamento mostra um mercado dependente de poucos papéis e vulnerável ao ambiente externo: Petrobras e Vale avançaram mais de 2%, mas o índice terminou quase parado. O dólar oscilou entre R$ 5,177 e R$ 5,201 antes de encerrar a R$ 5,1933. No curto prazo, a trajetória dos juros americanos, o petróleo, as sanções ao Irã e o fluxo estrangeiro devem continuar ditando a direção dos ativos brasileiros.
