A PetroRecôncavo (RECV3) fechou com a Petrobras um acordo de longo prazo para processar seu gás natural na Bahia e, com isso, suspendeu a decisão final de investir cerca de US$ 60 milhões na construção de uma unidade própria. O contrato garante acesso à infraestrutura da estatal entre 2028 e 2037, reduz a necessidade imediata de capital e aumenta a previsibilidade para a operação da companhia na próxima década.

Contrato assegura processamento de gás até 2037

O acordo amplia o acesso da PetroRecôncavo à Unidade de Tratamento de Gás Natural de Catu (UTG Catu), localizada em Pojuca, na Bahia. A instalação pertence à Petrobras, que continuará responsável pelo processamento do gás produzido pela empresa independente no estado.

Foram assinados o quinto aditivo ao Contrato de Processamento Firme de Gás Natural e o segundo aditivo ao contrato de compra e venda de gás natural para uso como combustível. A PetroRecôncavo também aderiu às novas regras gerais de acesso à unidade e ao acordo entre os usuários do grupo que utiliza a estrutura de processamento.

Como a infraestrutura da Petrobras reduz o investimento

O processamento é a etapa que trata o gás natural para que ele possa ser comercializado e utilizado. Ao contratar capacidade em uma unidade já existente, a PetroRecôncavo evita, neste momento, a construção e a operação de uma instalação própria, reduzindo a necessidade de desembolso e os riscos associados a um novo projeto industrial.

A empresa havia anunciado, em novembro de 2024, a construção da Unidade de Processamento de Gás Natural de Miranga (UPGN Miranga). O empreendimento teria capacidade inicial de 950 mil metros cúbicos por dia, com possibilidade de expansão para 1,5 milhão de metros cúbicos diários. A decisão de investimento foi suspensa após a contratação da capacidade na UTG Catu.

Projeto de Miranga continua como opção estratégica

A suspensão não equivale ao cancelamento definitivo da UPGN Miranga. A PetroRecôncavo manterá no portfólio os investimentos já feitos em estudos, aquisição do terreno, projeto básico e licenciamento ambiental.

A unidade poderá ser retomada se novos projetos da companhia ou a demanda de outros produtores independentes exigirem uma capacidade de processamento maior do que a disponível nas instalações baianas. Assim, a empresa preserva uma alternativa de expansão sem manter, no curto prazo, a obrigação de executar o investimento estimado em US$ 60 milhões.

O que o acordo muda para a operação da companhia

Na avaliação da PetroRecôncavo, a garantia de processamento por dez anos melhora a previsibilidade operacional e a competitividade da monetização do gás produzido na Bahia. Na prática, o contrato dá maior visibilidade para o escoamento e o tratamento da produção, fatores importantes para transformar o gás extraído em receita.

O comunicado não detalhou os volumes de gás assegurados, as tarifas negociadas nem os valores financeiros dos contratos. Também não apresentou estimativas sobre o efeito direto do acordo na produção ou nos resultados da PetroRecôncavo e da Petrobras.

Próximos passos para investidores

Para quem acompanha a RECV3, o principal efeito imediato é a troca de um projeto próprio de US$ 60 milhões por uma solução contratada com a Petrobras. Isso pode preservar recursos para outras iniciativas e reduzir a exposição da companhia aos custos e atrasos de uma nova obra, embora aumente sua dependência da infraestrutura e das condições comerciais da estatal.

O próximo ponto de atenção será a evolução dos volumes processados, das tarifas e dos projetos que possam exigir capacidade adicional. A companhia classificou a medida como parte de seu programa de resiliência, voltado à redução do risco operacional, mas os efeitos financeiros dependerão da execução do contrato e do desempenho da produção de gás na Bahia.