Santa Catarina e Goiás foram os estados que mais ampliaram sua presença na assessoria de investimentos fora do eixo tradicional do mercado financeiro na última década. O movimento reduz, ainda que de forma gradual, a concentração em São Paulo e no Rio de Janeiro e acompanha a formação de patrimônio em regiões ligadas ao agronegócio, à indústria e a novos polos de renda.

Santa Catarina mais que dobra o número de escritórios

Os dados têm como base os cadastros públicos de participantes regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com data de corte em 15 de julho de 2026. O levantamento contabilizou a evolução dos escritórios de assessoria, empresas que auxiliam clientes na escolha e na contratação de investimentos, sem necessariamente administrar diretamente os recursos.

Santa Catarina passou de 33 escritórios em 2015 para 68 em 2026, uma alta de 106%. Goiás avançou de 15 para 25 unidades, crescimento de 67%. O Paraná também ganhou espaço, ao sair de 64 para 88 escritórios, aumento de 37%, enquanto o Distrito Federal passou de 22 para 30, avanço de 36%.

São Paulo mantém liderança, mas cresce em ritmo menor

São Paulo continua sendo o principal mercado do país, com 704 escritórios ativos em 2026, equivalentes a 49,5% do total nacional. A base paulista, porém, cresceu apenas 7% desde 2015, quando havia 656 unidades.

O Rio de Janeiro, segundo maior mercado, seguiu trajetória oposta. O número de escritórios caiu de 244 para 199 no mesmo intervalo, uma redução de 18%. Ainda assim, São Paulo e Rio, juntos, concentram 63,5% dos escritórios de assessoria ativos no Brasil.

Riqueza regional aproxima assessores dos clientes

Para Francisco Amarante, superintendente da Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (ABAI), o avanço fora do eixo Faria Lima–Barra da Tijuca indica uma mudança na geografia da indústria. A expansão tende a ocorrer mais perto das regiões onde novos recursos financeiros estão sendo gerados.

Esse processo inclui áreas ligadas ao agronegócio, à indústria e a outros polos de renda regional. A presença local permite que os escritórios atendam empresários, produtores, profissionais liberais e famílias que antes poderiam depender de instituições concentradas nas capitais tradicionais para acessar produtos financeiros e orientação sobre investimentos.

Barueri concentra expansão dentro de São Paulo

A desconcentração também aparece entre os municípios. A cidade de São Paulo passou de 409 escritórios em 2019 para 462 em 2026, acréscimo de 53 unidades. Barueri, porém, teve um avanço proporcionalmente mais forte: saiu de 16 para 48 escritórios no período, triplicando a base em sete anos.

Curitiba cresceu de 36 para 56 escritórios, enquanto Porto Alegre avançou de 54 para 66. Belo Horizonte passou de 31 para 43 unidades, e Goiânia, de 11 para 23. No caso de Barueri, além da expansão de Alphaville como polo empresarial e financeiro, a diferença do Imposto Sobre Serviços (ISS) é apontada como um fator de atração: a alíquota municipal é de 2%, ante 5% na capital paulista.

O que o movimento significa para o investidor

A expansão regional tende a aumentar a oferta de atendimento e de plataformas de investimento em localidades que não eram prioritárias para as instituições financeiras. Isso pode ampliar o acesso a diferentes produtos, embora a qualidade do serviço, os custos e os conflitos de interesse continuem sendo pontos que cada cliente precisa avaliar.

O mapa do setor ainda é concentrado, mas os números mostram que a expansão deixou de depender exclusivamente de São Paulo e do Rio. O próximo passo será observar se o crescimento em Santa Catarina, Goiás, Paraná e outras praças se transforma em presença permanente, acompanhando a evolução da renda local e a demanda por serviços financeiros.