A Petrobras (PETR4) e o Porto do Açu assinaram o primeiro contrato entre as empresas para a operação regular de exportação de coque de petróleo. O acordo prevê a movimentação de até 600 mil toneladas por ano pelo Terminal Multicargas (T-Mult), em São João da Barra (RJ), ampliando o papel do porto na logística internacional da estatal.
Como funcionará o escoamento do coque
O contrato inclui o recebimento, a armazenagem e a exportação da carga pelo terminal, que dispõe de 500 metros de cais operacional. A primeira operação está prevista para o fim de agosto de 2026. O acordo terá duração inicial de um ano, com possibilidade de renovação por mais cinco anos.
O volume será formado pela produção de quatro refinarias da região Sudeste: REGAP, em Betim (MG); REDUC, em Duque de Caxias (RJ); REPLAN, em Paulínia (SP); e REVAP, em São José dos Campos (SP). A concentração da carga em um único ponto de embarque pode facilitar o transporte até os mercados externos e dar maior regularidade às exportações.
O que é o coque de petróleo e para que ele serve
O coque verde de petróleo é um subproduto gerado no processo de refino. Embora não seja o principal produto das refinarias, possui valor comercial e pode ser utilizado como combustível em processos industriais e pela indústria siderúrgica.
Na prática, a exportação transforma um resíduo do refino em uma fonte adicional de receita e amplia o alcance comercial da Petrobras. Entre os destinos atendidos pela companhia está a China, um dos mercados citados para esse tipo de produto. A demanda externa, entretanto, depende das condições da indústria e dos preços praticados no mercado internacional.
Porto do Açu amplia atuação com a Petrobras
O novo acordo reforça uma relação que já inclui outros serviços prestados pelo Porto do Açu à estatal, como a preparação para a reciclagem sustentável de plataformas descomissionadas. Com o contrato do coque, o terminal passa a participar de uma etapa recorrente da cadeia de exportação da Petrobras.
Desde o início das operações, em 2016, o terminal movimentou 26 tipos de cargas, entre granéis sólidos, cargas fracionadas e equipamentos de grandes dimensões. A diversificação reduz a dependência de uma única atividade e sustenta a estratégia do porto de funcionar como um hub logístico, ou seja, um ponto de concentração, armazenagem e distribuição de diferentes mercadorias.
Exportações recentes indicam busca por novos clientes
A Petrobras informou no segundo trimestre de 2026 que realizou a primeira exportação de coque verde de petróleo para a Sunstone, na China. Esse foi o sétimo novo cliente conquistado pela companhia no ano até aquele momento.
Em junho de 2026, a estatal também havia comunicado vendas para a Saudi Aramco, maior empresa de petróleo do mundo. Os movimentos mostram a tentativa de ampliar a carteira de compradores e diversificar os destinos do coque, em vez de depender de um número restrito de clientes.
O que o contrato representa para investidores e consumidores
Para quem acompanha a Petrobras, o acordo é relevante principalmente pelo efeito operacional: ele estabelece uma rota regular para até 600 mil toneladas anuais e pode dar mais previsibilidade ao escoamento do coque produzido nas refinarias do Sudeste. O contrato, porém, tem prazo inicial de apenas um ano, e sua continuidade dependerá das possíveis renovações previstas.
O impacto direto no preço dos combustíveis ou nas contas das famílias tende a ser limitado, porque o contrato trata de um subproduto específico do refino e de sua exportação. Os próximos pontos a observar são o início da primeira operação, no fim de agosto, a utilização efetiva da capacidade prevista e a evolução das vendas da Petrobras para mercados como China e outros compradores internacionais.
