A Marcopolo anunciou dividendos de R$ 0,13 por ação e um novo programa de recompra de papéis, movimento que levou as ações preferenciais (POMO4) a uma das maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira (20). Para o JP Morgan, a distribuição reforça a possibilidade de pagamentos maiores no futuro, apoiada pelo baixo endividamento e pela geração de caixa da fabricante de ônibus.

Dividendo de R$ 0,13 tem data de corte definida

Terão direito ao dividendo os acionistas que estiverem posicionados na Marcopolo ao fim do pregão de 25 de agosto de 2026. A partir de 26 de agosto, as ações serão negociadas “ex-dividendos”, ou seja, sem direito a esse pagamento. O valor e a data de recebimento do provento não devem ser confundidos com a oscilação diária da cotação no mercado.

Além do dividendo, a companhia autorizou a recompra de até 49 milhões de ações preferenciais. As aquisições poderão ser feitas a preços de mercado durante até 18 meses, entre 20 de agosto de 2026 e 18 de fevereiro de 2028.

Como funcionará a recompra de ações

As ações adquiridas poderão ser usadas para atender a planos de remuneração baseados em ações, permanecer em tesouraria, ser canceladas ou eventualmente vendidas novamente. A recompra reduz a quantidade de papéis em circulação quando as ações são canceladas, o que pode elevar a participação proporcional dos acionistas remanescentes nos resultados da empresa.

O programa também sinaliza que a Marcopolo considera suas ações atrativas aos preços atuais. Por volta das 11h25, POMO4 subia 5,50%, a R$ 4,41. A alta, porém, representa a reação do mercado ao anúncio e não garante que o papel manterá esse desempenho nos próximos pregões.

JP Morgan calcula retorno potencial de 7,2%

O JP Morgan estima que dividendos e recompra, em conjunto, representam cerca de R$ 366 milhões em retorno de capital aos acionistas, com rendimento potencial de 7,2%. O banco também calcula que as distribuições acumuladas em 2026 chegam a R$ 472 milhões.

Esse total equivale a um payout — parcela do lucro destinada aos acionistas — de aproximadamente 41%, considerando uma projeção de lucro líquido de R$ 1,15 bilhão para 2026. O percentual já se aproxima dos níveis de cerca de 50% registrados em 2024 e 2025, sem considerar dividendos extraordinários anteriores à tributação.

Baixa dívida sustenta expectativa de pagamentos maiores

Na avaliação do banco, a Marcopolo apresenta alavancagem baixa, medida pelo nível de dívida em relação à geração operacional de caixa. Excluindo a dívida bancária, a relação entre dívida líquida e Ebitda é de 0,3 vez. Em termos práticos, isso indica uma estrutura financeira mais confortável para manter investimentos e, ao mesmo tempo, distribuir recursos.

O JP Morgan espera que a empresa continue anunciando dividendos trimestrais e mantém recomendação equivalente à compra para POMO4. A leitura é que a melhora estrutural das margens e a menor dívida ainda não estariam totalmente refletidas na cotação, que está no menor nível desde o fim de 2023.

BTG vê alívio aos acionistas, mas mantém cautela

O BTG Pactual também considerou positiva a distribuição de capital, especialmente a recompra. Para o banco, a ação é negociada a cerca de quatro vezes o lucro projetado para 2027, uma avaliação considerada baixa, além de a companhia manter uma posição de caixa confortável.

Apesar disso, o BTG manteve recomendação neutra. A instituição destacou que a Marcopolo ainda enfrenta desafios de crescimento e volumes, após um segundo trimestre fraco e em um ambiente macroeconômico adverso.

O que acompanhar nos próximos meses

Para quem investe, os próximos pontos de atenção são a execução da recompra, a confirmação de novos dividendos e a evolução dos volumes e das margens. O retorno de capital pode apoiar a cotação, mas a capacidade de sustentar pagamentos maiores continuará ligada ao lucro e ao caixa gerados pela operação.

O investidor também deve considerar que, após a data “ex-dividendos”, o preço da ação costuma ajustar-se pelo valor do provento, enquanto a recompra depende de aquisições efetivamente realizadas pela companhia. Esses fatores se somam, mas não eliminam os riscos ligados ao desempenho do negócio e ao cenário econômico.