O Ibovespa avançava nesta quinta-feira (20), apoiado principalmente pelas ações da Petrobras, enquanto o petróleo tipo Brent se aproximava de US$ 94 por barril em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã. Às 10h45, o principal índice da B3 subia 0,28%, aos 168.298,04 pontos, após iniciar o pregão em baixa.

Petrobras lidera reação positiva da bolsa

As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) avançavam 2,27%, enquanto as ordinárias (PETR3) subiam 2,37% no mesmo horário. A alta dos papéis ajudava a sustentar o Ibovespa, apesar do ambiente externo mais cauteloso e da queda das bolsas nos Estados Unidos e na maior parte da Europa.

O petróleo Brent, referência internacional, ganhava 2,18%, cotado a US$ 93,62. O WTI, parâmetro do mercado americano, subia 2,52%, a US$ 87,99. Para empresas produtoras, a valorização da commodity pode melhorar a perspectiva de receitas e resultados, embora o efeito final também dependa de produção, custos, câmbio e política de preços.

Tensões entre EUA e Irã elevam risco no petróleo

A pressão sobre os preços veio do agravamento das relações entre Estados Unidos e Irã. O presidente americano Donald Trump afirmou que pretende impor ao país uma operação de “guerra econômica” e ameaçou aplicar consequências econômicas a nações que ofereçam apoio financeiro ou comercial a Teerã.

O cenário ganhou força depois que os Emirados Árabes Unidos anunciaram a suspensão de transações comerciais e financeiras com o Irã. O país afirmou ter sido alvo de dois mísseis balísticos disparados de território iraniano, acusação negada pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã. A possibilidade de novos desdobramentos na região aumenta o prêmio de risco embutido nas cotações do petróleo.

Outras ações e o dólar no pregão

Entre as principais ações do índice, a Vale (VALE3) subia 0,25%. Na liderança dos ganhos, Minerva (BEEF3) avançava 7%, seguida por MBRF (MBRF3), com alta de 5,08%, e Marcopolo (POMO4), que ganhava 4,78%.

Na ponta negativa, Hapvida (HAPV3) recuava 4,73%, Magazine Luiza (MGLU3) caía 3,21%, Metalúrgica Gerdau (GOAU4) perdia 2,73% e Cury (CURY3) registrava baixa de 2,07%. O dólar comercial subia 0,32%, a R$ 5,1923, refletindo a cautela global e a busca por proteção em um ambiente de maior incerteza.

Juros americanos pressionam bolsas globais

Nos Estados Unidos, os índices acionários operavam em queda depois que os rendimentos dos títulos do Tesouro americano voltaram a subir. O Dow Jones recuava 0,8%, o S&P 500 caía 0,4% e o Nasdaq perdia 0,5%.

A taxa da Treasury de dez anos avançava mais de 5 pontos-base, para 4,704%, enquanto o rendimento do título de 30 anos subia 6 pontos-base, a 5,254%. Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a reduzir a atratividade relativa de ativos de risco, como ações, ao mesmo tempo que aumentam o custo de financiamento para empresas e governos.

O que observar até o fim do pregão

Nos próximos meses, o Ibovespa poderá buscar a faixa de 175 mil a 180 mil pontos caso haja redução das tensões no Estreito de Ormuz, estabilização dos títulos americanos e retomada do fluxo estrangeiro para o Brasil, na avaliação do diretor de câmbio da Ourominas, Elson Gusmão.

Por enquanto, o movimento desta quinta-feira continua dependente do petróleo e do noticiário geopolítico. Para quem investe, a alta da Petrobras ajuda o índice, mas também evidencia sua concentração em empresas ligadas a commodities. Para consumidores e trabalhadores, uma persistência do petróleo em níveis elevados pode aumentar a pressão sobre combustíveis e custos de transporte, embora o material não indique mudança imediata nos preços domésticos.