Administração e economia aparecem na formação acadêmica de 38% dos CEOs das 82 empresas que compõem o Ibovespa, segundo levantamento da Falconi divulgado em 19 de agosto de 2026. O índice fica atrás apenas da engenharia, presente em 47% dos currículos, e mostra como conhecimentos de gestão, finanças e análise de negócios estão concentrados no comando das companhias mais negociadas da bolsa brasileira.
Engenharia lidera, mas gestão e economia ganham espaço
Do total de executivos analisados, 29% são formados em administração e 9% em economia. Direito e medicina aparecem com 3% cada, em proporções bem menores. A soma das duas primeiras áreas coloca esse grupo próximo da engenharia na formação dos principais líderes empresariais do país.
Os números, porém, não indicam que um diploma específico determine a chegada ao cargo de CEO. A composição sugere, sobretudo, que a capacidade de administrar recursos, interpretar indicadores e tomar decisões financeiras faz parte do conjunto de competências exigido no topo das empresas.
Por que administração aparece com tanta frequência
A presença de administradores também reflete o tamanho da própria área no ensino superior brasileiro. Dados do Censo da Educação Superior 2024, do Inep, mostram cerca de 2,4 milhões de estudantes matriculados em administração, quase 24% de todos os alunos do país.
No mesmo ano, 382,1 mil pessoas concluíram cursos de administração, incluindo bacharelados e tecnólogos. Essa ampla oferta ajuda a explicar a presença da formação nos quadros executivos, embora a proporção de economistas entre os CEOs seja relevante mesmo diante de uma base de estudantes e formados mais restrita.
Salários mostram valorização das duas formações
Os dados do mercado de trabalho também apontam remuneração superior para essas carreiras em comparação com muitas ocupações de entrada. Entre março de 2025 e fevereiro de 2026, o salário médio de admissão de economistas contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi de R$ 5.493,44, com mediana de R$ 4.226,93.
Para administradores, a média ficou em R$ 5.081,07 no mesmo período, com base em mais de 144 mil registros de contratações e desligamentos. A média de admissão representa o início da carreira e não equivale à remuneração de um CEO, mas ajuda a indicar como o mercado precifica conhecimentos ligados à gestão e à análise econômica.
Educação continuada é parte da trajetória executiva
Mais de 80% dos CEOs avaliados continuaram estudando após a primeira graduação, de acordo com o levantamento. A formação adicional pode ocorrer por meio de MBAs, especializações ou programas de educação executiva, geralmente voltados a finanças, estratégia, liderança e operações.
Esse movimento acompanha a maior complexidade das empresas, que precisam lidar simultaneamente com juros, inflação, tecnologia, concorrência e mudanças no comportamento do consumidor. O diploma inicial fornece uma base, mas a ascensão profissional costuma depender também de experiência prática e atualização constante.
O que o dado sinaliza para quem trabalha e investe
Para quem está escolhendo uma carreira, os números mostram que administração e economia oferecem caminhos distintos para funções de liderança. Administração tende a ser mais abrangente, com atuação em operações, pessoas, marketing e finanças; economia concentra-se mais em análise de mercados, cenários e decisões relacionadas a recursos.
Para investidores, a formação dos CEOs é apenas um elemento de avaliação da governança e não permite, isoladamente, concluir sobre o desempenho futuro de uma empresa. O próximo passo para os profissionais dessas áreas continua sendo combinar conhecimento técnico com experiência, capacidade de execução e compreensão dos setores em que as companhias atuam.
