A Cosan (CSAN3) iniciou o processo para retirar seus ADSs da Bolsa de Nova York (NYSE), com último pregão previsto para 18 de setembro de 2026. A companhia continuará com suas ações ordinárias negociadas normalmente no Novo Mercado da B3, onde está concentrada a maior parte das operações com os papéis.

Cosan deve protocolar pedido de saída em setembro

O próximo passo do cronograma está previsto para 8 de setembro, quando a holding pretende apresentar o Formulário 25 à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão que regula o mercado de capitais dos Estados Unidos. Se as etapas forem concluídas como planejado, os ADSs deixarão de ser negociados na NYSE dez dias depois.

As datas ainda são estimativas e dependem do cumprimento das exigências do processo. A Cosan também informou que poderá adiar ou retirar os protocolos antes que produzam efeito, além de alterar os planos relacionados à deslistagem.

O que muda para os papéis negociados na B3

A saída da NYSE envolve apenas os American Depositary Shares, certificados que representam ações de uma empresa estrangeira negociadas nos Estados Unidos. No caso da Cosan, cada ADS equivale a quatro ações ordinárias CSAN3.

Com a deslistagem, as ações ordinárias continuarão disponíveis na B3, sem alteração prevista no ticker CSAN3. A companhia também não informou a intenção de transferir os ADSs para outra bolsa ou sistema de negociação.

Por que a holding quer simplificar sua estrutura

Segundo a Cosan, a retirada da NYSE faz parte de uma estratégia para simplificar e otimizar a estrutura de capital, reduzir custos e concentrar esforços nos mercados considerados mais relevantes para o grupo. A manutenção da negociação na B3 preserva o principal ambiente de negociação dos papéis.

A deslistagem, isoladamente, não altera os negócios operacionais da companhia nem representa o encerramento de suas obrigações nos Estados Unidos. A holding continuará registrada sob o U.S. Securities Exchange Act de 1934 e deverá seguir cumprindo as regras de divulgação previstas na legislação americana.

Saída ocorre em meio a esforço para reduzir a dívida

O movimento acontece enquanto a Cosan tenta reduzir a complexidade financeira e o endividamento da holding. No segundo trimestre, a dívida líquida da Cosan Corporate caiu 47% em relação ao mesmo período de 2025, para R$ 9,22 bilhões. Parte da redução veio dos recursos levantados na oferta secundária da Compass (PASS3), dos quais aproximadamente R$ 2,3 bilhões foram usados para amortizar dívidas.

A companhia ainda registrou prejuízo líquido de R$ 320 milhões no segundo trimestre de 2026, mas o resultado representou melhora de R$ 625 milhões ante o mesmo período do ano anterior. A empresa atribuiu a evolução principalmente à menor despesa efetiva de impostos, ao melhor resultado financeiro e à redução das despesas gerais e administrativas.

O que acompanhar até o último pregão

Um dos indicadores centrais para avaliar a capacidade financeira da holding é a cobertura do serviço da dívida, que compara os dividendos recebidos das subsidiárias com o custo de manter as obrigações financeiras. A métrica estava em 0,2 vez no fim do primeiro semestre, e a meta é chegar a uma faixa entre 0,8 vez e 1,2 vez até dezembro.

Para isso, a Cosan prevê receber entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,8 bilhão em dividendos em 2026. No primeiro semestre, foram R$ 434 milhões. O plano considera ainda R$ 586 milhões provenientes da venda de terras agrícolas da Radar e cerca de R$ 530 milhões a serem recebidos das demais subsidiárias.

Para quem acompanha a CSAN3, o ponto prático é que a negociação principal seguirá na B3, enquanto o processo nos Estados Unidos acrescenta uma etapa corporativa ao plano de simplificação. O mercado ainda deverá acompanhar o protocolo do Formulário 25, a confirmação do cronograma e a evolução da dívida e dos dividendos da holding.