O ministro das Cidades, Vladimir Lima, afirmou nesta terça-feira (18) que o crédito imobiliário no Brasil deve alcançar pelo menos 20% do Produto Interno Bruto (PIB) daqui para frente. A nova meta supera a projeção anterior, que indicava um nível acima de 12%, e representa uma mudança de patamar para um mercado que hoje equivale a 11% da economia brasileira.
Meta de 20% exige ampliar o mercado além do Minha Casa, Minha Vida
Durante o Abecip Summit 2026, Lima disse que o Minha Casa, Minha Vida não pode ser o único motor da política habitacional. Para ele, o país precisa desenvolver uma estratégia estruturante, capaz de alcançar diferentes faixas de renda e aumentar de forma permanente a oferta de financiamento para imóveis.
O ministro também destacou a necessidade de modernização tecnológica e de aperfeiçoamento das políticas públicas. A lógica é que o programa habitacional continue relevante, mas passe a fazer parte de uma estrutura mais ampla de crédito, infraestrutura e desenvolvimento urbano.
Crédito imobiliário avançou 29% no primeiro semestre
Segundo Lima, mudanças recentes nas regras e nos mecanismos de financiamento ajudaram o crédito imobiliário a crescer mais de 29% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O avanço indica aumento nas contratações, mas ainda parte de uma base equivalente a 11% do PIB.
Em 2025, o governo discutiu alterações no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, o SBPE, que reúne recursos usados no financiamento habitacional. Entre as possibilidades avaliadas estava a liberação de depósitos compulsórios da poupança, mecanismo que poderia aumentar o dinheiro disponível para empréstimos destinados à compra de imóveis.
Orçamento do FGTS para habitação mais que dobrou desde 2023
O orçamento do FGTS para habitação subiu de R$ 90 bilhões em 2023 para R$ 195 bilhões em 2026. O montante inclui recursos do fundo social do pré-sal e do Orçamento Geral da União, além das fontes tradicionalmente associadas ao fundo.
Mais recursos permitem ampliar o número de famílias atendidas e reduzir o custo de financiamento em determinadas faixas, mas também aumentam a importância do planejamento fiscal e da qualidade dos projetos. O Ministério das Cidades atua ainda em saneamento, prevenção de riscos e transporte público, áreas que influenciam o valor e a viabilidade dos empreendimentos.
Faixa 4 já alcançou 58 mil famílias
Com a criação da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, cerca de 58 mil famílias já obtiveram acesso facilitado ao crédito imobiliário, em operações que somam mais de R$ 18 bilhões. A expansão ajudou o programa a atingir a meta inicial de 2 milhões de moradias contratadas com um ano e meio de antecedência.
Agora, a meta anunciada pelo governo é chegar a 3 milhões de moradias contratadas até o fim de 2026. Lima afirmou que o programa vem batendo suas metas repetidamente e defendeu o diálogo com o setor produtivo para identificar ajustes e aumentar a escala das operações.
O que a nova meta representa para famílias e investidores
Para as famílias, a expansão do crédito pode significar mais opções de financiamento e maior acesso à casa própria, desde que os juros e as parcelas permaneçam compatíveis com a renda. O efeito não é automático: a disponibilidade de recursos precisa vir acompanhada de capacidade de pagamento, oferta de imóveis e infraestrutura urbana.
Para quem investe, o crescimento do financiamento tende a repercutir em construtoras, incorporadoras, bancos e fundos ligados ao setor imobiliário, mas os resultados dependem das regras de funding, da inadimplência e das condições econômicas. O próximo passo será transformar a meta de 20% do PIB em medidas permanentes, sem limitar a expansão ao Minha Casa, Minha Vida.
Impacto para a sociedade
A expansão do crédito imobiliário pode facilitar o acesso à casa própria e estimular a construção civil, setor que gera empregos e movimenta fornecedores. Por outro lado, o aumento dos financiamentos também depende das condições de juros e da capacidade de pagamento das famílias, enquanto o uso de recursos públicos e do FGTS afeta o orçamento destinado a outras políticas habitacionais.
