O PIB brasileiro cresceu 0,3% no segundo trimestre de 2026, em relação aos três primeiros meses do ano, impulsionado principalmente pelo consumo das famílias. A estimativa da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que a economia continuou avançando, mas perdeu força depois da alta de 1% registrada no primeiro trimestre, em um ambiente de juros elevados, endividamento das famílias e incertezas externas.

Consumo das famílias sustenta crescimento entre abril e junho

O consumo das famílias aumentou 2,6% no segundo trimestre, na comparação com o período de janeiro a março. Segundo a FGV, o desempenho foi sustentado principalmente pelo consumo de serviços e pela compra de produtos duráveis, como eletrodomésticos e outros bens de maior valor.

O resultado é relevante porque o consumo representa uma parcela importante da atividade econômica. Quando as famílias compram mais, empresas de comércio e serviços tendem a vender mais, o que ajuda a manter a produção e a renda. Esse movimento ocorreu mesmo com a taxa básica de juros ainda em patamar elevado e com o alto endividamento da população.

Queda de junho mostra perda de ritmo da economia

Apesar do avanço no trimestre, a economia recuou 1,1% em junho, na comparação com maio, de acordo com o Monitor do PIB. O dado mensal reforça a avaliação de que a atividade perdeu velocidade ao longo do segundo trimestre.

A economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, afirmou que a desaceleração foi observada nas três grandes áreas acompanhadas pelo levantamento: agropecuária, indústria e serviços. O consumo foi a exceção, ao manter o ritmo de expansão observado no início do ano.

Exportações sobem, mas investimento fica praticamente estável

Além do consumo, as exportações cresceram 4,5% no segundo trimestre, enquanto as importações avançaram 5,7%, sempre em relação ao primeiro trimestre e com dados ajustados para retirar efeitos sazonais. Esse ajuste permite comparar períodos consecutivos sem que fatores típicos de determinadas épocas do ano distorçam o resultado.

A taxa de investimento da economia ficou estimada em 18,5% em maio, ligeiramente abaixo dos 18,6% registrados no primeiro trimestre. Investimentos são importantes para ampliar a capacidade de produção e sustentar um crescimento mais duradouro; por isso, a estabilidade do indicador sugere que essa frente não ganhou força no período.

Juros altos e cenário externo limitam a expansão

Para a FGV, o crescimento ocorre em um contexto econômico desafiador. Entre os fatores de pressão estão o aumento do preço do petróleo associado à guerra no Oriente Médio, os juros elevados no Brasil e o endividamento das famílias, que reduz o espaço para novas compras e financiamentos.

Em agosto, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. A taxa menor tende a diminuir gradualmente o custo de empréstimos e financiamentos, além de reduzir a remuneração de aplicações de renda fixa pós-fixadas. O efeito, porém, não é imediato: bancos ainda consideram risco, prazo e inadimplência ao definir as taxas cobradas dos clientes.

PIB oficial sai em setembro; previsões apontam alta moderada

O Monitor do PIB é uma prévia elaborada pelo Instituto Brasileiro de Economia da FGV. O resultado oficial do segundo trimestre será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 1º de setembro. No primeiro trimestre, o dado oficial havia apontado crescimento de 1,1%.

Outro indicador divulgado em 17 de agosto, o IBC-Br do Banco Central, apontou queda de 0,6% na atividade econômica em junho ante maio. O BC projeta crescimento de 0,2% no segundo trimestre e expansão de 1,5% em 12 meses. Já o mercado estima alta de 1,98% para o PIB de 2026, enquanto o Ministério da Fazenda prevê crescimento de 2,3%.

O que o resultado indica para investidores e famílias

O crescimento de 0,3% confirma que a economia permaneceu em expansão pelo 20º trimestre consecutivo, mas também mostra que o ritmo está mais fraco. O PIB acumulado em 12 meses registra alta de 1,8%, e o valor estimado para a economia no primeiro semestre chega a R$ 6,557 trilhões.

Para quem investe, trabalha ou consome, os próximos dados serão importantes para indicar se o consumo continuará compensando a fraqueza de indústria, serviços e agropecuária. A combinação entre atividade moderada, inflação, crédito caro e decisões do Banco Central será determinante para os juros, o emprego e a renda nos próximos meses.

Impacto para a sociedade

O crescimento da economia indica que a atividade continuou avançando entre abril e junho, o que ajuda a sustentar empregos, renda e vendas no comércio e nos serviços. Ao mesmo tempo, a desaceleração e os juros ainda elevados mostram que o crédito permanece caro para famílias e empresas. O resultado também influencia as próximas decisões sobre a taxa Selic, que afetam financiamentos, investimentos e o custo de consumo.