O Mercado Pago fechou 5 mil contratos de consignado privado nos quatro dias da fase inicial de oferta da modalidade, realizada em julho. A fintech do Mercado Livre começou agora a ampliar gradualmente o produto para trabalhadores com carteira assinada, em uma disputa que pode aumentar as opções de crédito para esse público.
Como funciona a nova oferta do Mercado Pago
O consignado privado é um empréstimo cujas parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento do trabalhador. Como o pagamento ocorre antes de o salário chegar integralmente à conta, o risco de inadimplência tende a ser menor do que em linhas sem desconto em folha.
A contratação pode ser iniciada no aplicativo ou em outros canais digitais próprios do Mercado Pago. Também é possível começar o processo pela Carteira de Trabalho Digital (CTPS), ferramenta usada para consultar ofertas e simular condições de crédito. A liberação para a base de clientes será feita de forma gradual, acompanhando o comportamento dos pagamentos e dos descontos das parcelas.
Conversão após simulação na Carteira de Trabalho Digital
Entre os trabalhadores que fizeram uma simulação pela CTPS e escolheram continuar com o Mercado Pago, 70% concluíram a contratação. O percentual indica a parcela de usuários que efetivamente transformou a consulta inicial em um empréstimo contratado.
Desde outubro de 2025, o sistema já processou cerca de 50 milhões de solicitações por meio da Carteira de Trabalho Digital, envolvendo aproximadamente 9 milhões de CPFs únicos. Segundo o Mercado Pago, cerca de 80% dessas pessoas já eram clientes da fintech, o que reduz a necessidade de conquistar usuários completamente novos.
Por que bancos e fintechs disputam o consignado CLT
A modalidade ganhou força com o programa Crédito do Trabalhador, editado pelo governo em 2025 para estimular o acesso de empregados formais ao crédito com desconto em folha. Para as instituições financeiras, a garantia de pagamento vinculada ao salário torna a operação potencialmente mais previsível.
Apesar disso, os bancos e as fintechs começaram as concessões com cautela. Parte do setor aguardava ajustes operacionais, especialmente na implementação das garantias e na integração dos sistemas necessários para registrar e acompanhar os descontos nos salários.
Mercado já soma R$ 113,3 bilhões em carteira
O avanço do Mercado Pago ocorre em um segmento que cresceu rapidamente. Em junho de 2026, a carteira total de consignado para trabalhadores do regime CLT somava R$ 113,3 bilhões, alta de 143% em relação ao mesmo mês do ano anterior, conforme os dados mais recentes do Banco Central.
Esse estoque representa o volume de empréstimos ainda em circulação, com parcelas a serem pagas pelos trabalhadores. O crescimento mostra o tamanho do mercado que passou a atrair novas instituições, mas também reforça a necessidade de acompanhar o comprometimento da renda mensal de quem contrata.
O que muda para trabalhadores e para a fintech
Para o trabalhador, o principal efeito é a possibilidade de comparar uma nova oferta de crédito dentro de um canal digital já conhecido. A parcela descontada automaticamente pode reduzir o risco de atraso, mas também diminui o salário disponível todos os meses até o encerramento da dívida.
Para o Mercado Pago, os 5 mil contratos iniciais funcionam como uma etapa de teste e expansão controlada. A fintech afirmou que vem integrando serviços financeiros à jornada de seus clientes. O próximo passo será ampliar a oferta conforme os dados de pagamento e a operação de descontos em folha indiquem maior segurança para a carteira.
Impacto para a sociedade
A nova linha amplia as opções de crédito para trabalhadores com carteira assinada, que podem contratar empréstimos com parcelas descontadas diretamente do salário. Esse mecanismo pode facilitar o acesso ao dinheiro, mas reduz a renda mensal disponível até o fim do contrato.
